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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ARTHUR GUINNESS DAY


Nos dia 27 e 28 de setembro de 2012 acontece a celebração mundial do Arthur’s Day, uma homenagem ao criador da cervejaria produtora da mais vendida e famosa Stout do mundo, a Guinness. Nesse dia tradicionalmente todos devem, pontualmente às 17:59 – ano de criação da cervejaria, 1759 –, erguer seus copos, preferencialmente Pints, cheios de Guinness, como forma de agradecimento pela criação da cervejaria bicentenária.

Com a temática de pintar a cidade de preto (“Paint the Town Black”), o ano de 2012 teve, na sua 4ª edição consecutiva, a maior celebração da festa, com concentração maciça de vários pubs e cidades de toda parte da Irlanda, país de origem da Guinness, celebrando com muitos eventos e várias apresentações ao vivo de músicos mundialmente famosos, uma vez que a data faz parte do calendário anual de festividades do país, é um dia muito aguardado por todos. 


Campanha de 2012, Paint the Town Black, mais em:  http://www.guinness.com/en-row/arthurs-day/ 

Aqui no Brasil resta apenas contribuir no erguer e brindar de copos, seja em casa ou no bar, já que desconheço algum evento local que celebre a data. No meu caso a homenagem foi em casa mesmo e com minha Guinness Special Export, cerveja do estilo Foreign Extra Stout, portanto uma versão mais robusta e alcoólica que a Guinness Draught, por exemplo, que é a mais conhecida e consumida, e que usou uma carga maior de maltes torrados.

Confesso que ela não foi consumida rigorosamente às 17:59, na verdade já passava da casa das 22 horas, e também não bradei o grito de “To Arthur!/Para Arthur!”, este foi invocado apenas em pensamento, mas homenagem prestada, vamos a ela:

Essa versão especial e de “exportação” da Guinness, cujo foco é servir alguns países, de caribenhos a africanos, veio com uma coloração de tonalidade escura, puxada para o castanho forte, fechada e sem limpidez, bloqueando qualquer claridade. A espuma bege teve uma formação que pegou quase metade da taça, forte e rija e que desceu com bastante calma e foi deixando várias camadas de sujeiras nas paredes do copo. No aroma ela trouxe semelhanças com sua versão menos robusta, a Draught, ao trazer semelhanças nas notas de café cappuccino, porém nesta mais intensa e natural. Evocou bem o achocolatado que pareceu misturado a um leite fresco recém tirado da vaca, com notas de nata e gordura. A torrefação acompanhou todo o aroma, porém não agressiva, ficou quase um limiar da tosta com a torra, mas ainda sobressaindo um pouco mais na segunda. Os maltes também vieram com um cheiro agradável de caramelo e leve toffee, mas sem exagerar, bem inseridos. Notas amargas dos maltes escuros, toques de chocolate amargo, além de um pouco do amargor herbáceo (?) resultante, talvez, de uma lupulagem baixa ou encoberta (a receita diz usar extrato de lúpulo). Notas adstringentes acompanharam o seu cheiro, inclusive com alguma persistência e uma sensação de vinho. Álcool muito bem inserido e imperceptível no aroma. O sabor trouxe uma torrefação muito assertiva, sem agressividade, mas poderosa e que persistiu por todo o gole. Evocação de muito café cappuccino e quase uma grossura, consistência de um chocolate quente, ao leite (mas obviamente frio). Notas amendoadas e de coco queimado complementaram as notas maltadas, além de calda de caramelo, melaço, açúcar queimado e um biscoito doce waffer. Maltagem com alguma riqueza e suculência. A doçura seguiu com presença de frutas escuras e secas. O amargor dos maltes e dos lúpulos foram mais fortes que no aroma, e o segundo trouxe traços herbais bem verdes, temperados e um pouco picantes, além de notas cítricas de laranjas. O álcool apareceu coadjuvante, bem inserido, não como penetra, foi surgindo aos poucos e angariando um leve esmaltado e um mais bem vindo amargor mentolado. O corpo dela foi curiosos, pois pareceu grosso em alguns goles, noutros foi bem macio. A carbonatação foi média, não comprometeu, porém apareceu com algumas borbulhas. O fim foi longo e docinho. O residual trouxe os amargos da torra e o verde dos lúpulos.

Guinness Special Export - Foreign Extra Stout  - 8% ABV

Se você esqueceu a homenagem e a data passou batida, não tem problema, faça sua celebração posteriormente. Não possui o copo da marca ou nenhum Pint em casa, não se preocupe, use aquele copo de requeijão que está escondido dentro do armário. Também não tem nenhuma Guinness no seu estoque de cervejas, mas tem uma de outra marca ou de outro sub-tipo, sem problemas novamente, tem gente que nem gosta de Guinness! Portanto o dia não importa, nem o copo ou o estilo da cerveja, o que importa é a celebração em torno da tão querida cervejinha do nosso dia-a-dia e ter uma data específica que nos motive a abrir uma, torna muito especial e nobre, o simples e muito prazeroso ato de beber uma boa cerveja. 

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