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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

BEBA LATA, DIGA NÃO AO PRECONCEITO


No nosso país sempre imperou o preconceito relacionado às bebidas em lata. Muitos dizem que ela agrega gosto de alumínio ao sabor e que as versões em vidro seriam melhores. Preconceito não apenas delegado às bebidas alcoólicas, quem nunca ouviu aquele parente saudosista dizer que Coca-Cola boa era a de vidro e daquelas retornáveis de 1 litro? Subjetividades à parte, hoje em dia frente as a cada dia mais avançadas técnicas de envase que garantem uma maior eficiência no revestimento das latas, não existe mais essa de um determinado tipo de embalagem ser melhor ou pior, influenciar ou não nas sensações advindas de uma bebida, principalmente se esta for a nossa tão querida cervejinha. Inclusive entrando no mérito da produção, sua opção barateia muito o custo além de ajudar o meio ambiente através de sua reciclagem.
Latas da cervejaria Krueger's, primeiras latas de cerveja do mundo. Mais em:  http://www.greenmon.com/first_beer_cans.htm

Sem querer puxa-saquismo, mas já o fazendo, a lata se tornou uma opção bastante prática e versátil para o dia-a-dia pelos seguintes motivos: ela é mais fácil de estocar nos cômodos e armazenar principalmente em geladeiras, não correm o risco de quebrar como as garrafas de vidro, muitas vezes elas são resistentes até mesmo a sutis quedas ficando apenas amassadas, e o principal motivo: o bloqueio total da influência de qualquer luminosidade externa, retardando em parte a oxidação da bebida.

Para não ficar apenas a favor da lata, vamos citar ao menos duas vantagens em prol da garrafa, uma técnica e outra mais superficial. Graças ao seu sistema de vedação ela possui o mérito de conseguir manter maior a carbonatação da bebida, função de extrema importância na hora da degustação. A segunda vantagem é que os colecionadores podem retirar e descolar os rótulos e armazená-los em ficheiros, por exemplo, caso não queiram guardar a garrafa toda, acabando assim com o trabalho de ficar limpando e tirando a poeira. Já para quem coleciona latas só existe a opção de colecioná-las no seu formato original e ocupando espaços da prateleira.

Embarcando na onda a escocesa BrewDog também lançou suas cervejas regulares em versão enlatadas de 330 ml. Uma das que entraram no rol foi a Punk IPA, uma cerveja já clássica do estilo American India Pale Ale que mesmo com poucos anos de vida é uma das favoritas dos lupulomaníacos, principalmente entre os brasileiros. Portanto vejamos como ela se portou na latinha:

Mal abri a latinha da Punk IPA e antes mesmo de despejá-la no copo um forte cheiro de salada de frutas tropicais impregnou todo o ambiente. Mas antes vamos à sua apresentação, que atraiu uma coloração dourada forte, brilhante e totalmente transparente, onde se enxergaram os dedos segurando o outro lado da taça. A espuma veio alta, de cor branca, marfim, e levemente cremosa, cheia de bolhas e aspecto aerado que quando desceu deixou rendas circulares ao longo da taça. O aroma foi inebriante e amarrou por um bom tempo o nariz do degustador que prorrogou a hora de engolir a bebida, tão intenso que era o prazer em cheirá-la. Carga alta de lúpulos nobres e em flor, tão resinosos como “pine” e que soaram carregados na oleosidade e que remeteram a notas picantes de gengibre. Frutas que se abriram, desabrocharam como flor e tomaram conta do ambiente com variedades de frutas tropicais, cítricas, ácidas e de cor amarela, com muita suculência de laranja, grapefruit, maracujá, limão siciliano e manga. Um toque mais brando de terra e grama, com toques de eucalipto e cidreira, carregando no tempero e no picante. E os maltes? Também estavam lá, claro que mais encobertos frente à bomba de lúpulos, mas que funcionaram como um equilíbrio ao conjunto e que contribuíram com os dulçores de caramelo, muito pão doce e biscoito. Depois de cheirar bastante, vamos ao sabor. Este veio inicialmente agridoce. Dulçores dos maltes e dos lúpulos ficaram aliados aos amargores provenientes do segundo. Um início que trouxe uma intensa carga lupulada, que remeteu a mesma intensidade do aroma, com as mesmas notas de frutas cítricas e frescas, mas desta vez bem amparadas pelos maltes com os adocidados de caramelo, mel e biscoito. Toda a resina veio em seguida e foi aliada ao herbal, com esse mix trazendo um amargor oleoso, molhado, temperado, picante e terroso, inclusive de persistência alta que perdurou por toda a golada. O corpo dela soou médio e bem macio na boca. A carbonatação foi média a alta que pinicou a língua e borbulhou no céu da boca. O final dela foi extremamente cheio de secura e implorou por novos goles. O residual agridoce deu um retrogosto muito amargo com tons verdes e temperados.
Punk IPA - American India Pale Ale - 5,6% ABV
Versão em lata totalmente aprovada. Apesar da minha preferida ainda ser a versão em chope ou a engarrafada de 660 ml, que quando começou a ser importada pro Brasil bebi bem fresquinha, no geral as diferenças entre elas são rasas, muito sutis para o degustador comum e que agradarão num todo àqueles que quiserem beber uma cerveja bem lupulada e que abuse dos lúpulos nobres e em flor dos americanos.

Portanto o alumínio e o vidro não influenciam em muita coisa, a qualidade da cerveja continua residindo toda no nobre líquido. Ainda bem.

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