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domingo, 4 de novembro de 2012

FELIZ FINADOS


Dia desses foi celebrado o Dia dos Finados. Uma data tenebrosa para muitos e geralmente carregada de lembranças tristes, portanto a ocasião perfeita para beber uma cerveja (?!). É que se seguirmos a forma mexicana de encarar a data, com celebração, festa e nada de tristeza, a bebida ideal para simbolizar esse momento seria a cerveja Rogue Dead Guy Ale.

Antes inicialmente uma etiqueta de torneira de chope para a Casa U Betcha, um restaurante de comida mexicana de Portland, Oregon (onde também se situa a cervejaria), que foi criada para o dia dos mortos do calendário Maia, o desenho do designer Penny  Muire ficou tão famoso e angariou tantos fãs (até mesmo fãs de rock, em específico da banda Grateful Dead), que acabou estampando o rótulo da cerveja na sua versão engarrafada desde então até hoje, além de também estampar o Dead Guy Whiskey, uísque da Rogue que usa a mesma base maltada da cerveja, além de leveduras de destilados no mosto, onde é duplamente destilada e envelhecida em barris de carvalho americano branco carbonizados.

Sifão de 2 litros da cerveja e 750 ml do uísque


Encarado como uma celebração à morte, considerada apenas um rito de passagem da vida, onde o homem, como um ser imortal, passaria para o “outro lado” sem deixar de existir, apenas vivendo um novo ciclo de existência. Daí a necessidade de receber bem os seus mortos no dia, que vai da meia noite de 31 de outubro até o dia 2 de novembro. Comidas típicas mexicanas, decoração temática ao dia dos Finados, música e espírito festeiro, mas também muito religiosos, além de muita bebida alcoólica, afinal vivo ou morto, ninguém é de ferro. E os mexicanos sabem como ninguém festejar os seus mortos – e servem de  exemplo para aquelas festas de parentes chatos que muitas vezes somos obrigados a ir –, pois se para os mortos eles celebram dessa forma, imagina para os vivos! Brincadeiras à parte, a meu ver o maior legado que o Dia dos Mortos Maia tem a oferecer é que mesmo na morte, pode se ter alegria, sem que essa alegria signifique desrespeito ao ente querido que se foi.

Festival de Tradiciones de Vida y Muerte


A cerveja Rogue Dead Guy Ale veio com uma cor caramelada com reflexos alaranjados contra a luz, totalmente fechada, turva, mas com discernível e boa quantidade de bolhas em subida. A espuma teve uma formação boa, não esplendorosa, contida, mas correta, cor bronzeada, com leve compactação e bolhas dispersas, retenção alta que demorou a baixar e que sempre deixou uma quantidade razoável de estabilidade. O aroma veio com média e intensa maltagem, em especial aromas destacados de mel, caramelo e panificação. Dulçor suculento de balas de doce de leite e toffee. Ainda toques de grãos, cereais e açúcar. Uma lupulagem mais ao fundo, fina, bom background de notas frescas e cítricas de laranjas, perfume de flores e também ligeiro herbal de menta. O álcool não se fez sentir e o resultado final é de um alto equilíbrio. O sabor trouxe semelhantes notas aromáticas maltadas, com destaque para o dulçor inicial de mel, seguido por toques de panificação, com gosto de casca, miolo e grãos. Em seguida surgiu um amargor com nuances de tostagem e lupulagem herbal de temperos e menta. Frutas cítricas e cristalizadas com laranjas e abacaxis, e elegância floral. Em seguida retornaram os dulçores dos maltes com o caramelo, toffee e doce de leite bem intensos e suculentos. Toques breves de sementes comestíveis, nozes. Notas fenólicas de especiarias como canela e alguma picardia de cravo. Sensação alcoólica mais forte que no aroma onde foi sumida, no sabor deu uma picardia de leve álcoois superiores, mas que num todo não prejudicou a drinkability. O corpo foi cheio, mas não pesado nem licoroso. A carbonatação foi mediana num todo. O final dela foi médio-longo com secura arrebatadora. O retrogosto foi de grãos e amargores mentolados efervescentes na boca como um enxaguante bucal. Boa drinkability somada a leve picardia alcoólica tornaram a cerveja agradável e fácil de beber.

Rogue Dead Guy Ale - Maibock/Helles Bock -  6,6% ABV


Seja vivo, seja morto, seja Finados católico, seja Finados Maia, seja religioso, seja ateu, a mensagem final é que até os mortos merecem ser contemplados com uma boa cerveja.

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