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sábado, 15 de dezembro de 2012

SANGUE, SUOR E CERVEJA – 20 ANOS PORCOS CEGOS/BLIND PIGS



O Blind Pigs (ou Porcos Cegos), uma das mais famosas bandas de punk rock/street punk do cenário underground brasileiro, vai comemorar no ano que vem seus 20 anos de existência. Apesar de algumas paradas e comunicados de encerramento ao longo dos anos, a banda retorna dessa vez com a turnê comemorativa Suor, Cerveja e Sangue, fazendo shows nos meses de março, abril e maio, tocando seus clássicos dos 5 discos lançados (e um ao vivo), indo desde a fase do início, mais punk e agressiva, com letras na sua maioria em inglês, até a fase street punk, com a mudança do nome da banda, traduzido para o português, inclusive fazendo músicas somente nesse idioma, mudança de alguns membros e praticando um som mais reto e também coeso, mas mantendo as letras sempre com temas rueiros, de protesto e também diversão, e por que não, falando de cerveja.

E não param por aí. Outra novidade deles será o lançamento do CD Blind Pigs – Demos, com 42 faixas inéditas lançadas 20 anos atrás, dentre demos, covers e gravações em k7. O álbum poderá ser adquirido em separado ou num combo com camiseta e patch da banda.



Além da turnê ano que vem eles lançarão seu novo trabalho de estúdio provavelmente entre os meses de fevereiro e março, mas antes, outra novidade que será exclusiva da turnê, vai ser a venda em vinil colorido do relançamento do disco The Punks Are Alright!, vendido apenas nos shows e com prensagem limitada a 250 cópias de 10 polegadas. O mesmo artista responsável pela arte da capa original do CD foi novamente chamado para fazer a contra capa do vinil, o alemão Maura Kalusky, mas que antes de criar sua arte pediu pra banda citar uma cerveja brasileira, onde a escolhida foi a Caracu.




Como um fã dos Porcos Cegos e não tão fã da Caracu, confesso, inclusive fazia tempos que não a bebia, a degustei e fiz minha análise dessa típica cerveja de boteco, cuja gemada famosa e cheia de “sustança”, Caracu com ovo, é recomendada como um grande fortificante para se começar bem o dia com a corda toda, já que como diz a propaganda, é a cerveja “para quem não come mel, mastiga abelha”.

A Caracu veio com cor castanha escura, quase preta, tonalidade ébano de reflexo castanho claro e fechada contra a luz. Sua espuma levemente marrom veio com boa criação inicial, média retenção, aspecto aerado, granuloso e de bolhas disformes, que deixou sutis sujeiras ao redor da taça, finalizando com uma camada de espessura. O aroma veio com notas caramelizadas e de biscoito doce (waffer) atraindo médio dulçor, notas queimadas de caramelo e um leve tostado, esfumaçado de cinzas. Algum sutil café e borra. Por trás veio um dulçor proeminente de caldo de cana-de-açúcar, algodão doce. O sabor começou com notas acres e adstringentes de café, seguida de doces caramelizados, que em seguida ficaram em segundo plano frente a um médio tostado de tom esfumaçado. Em seguida o dulçor retornou de forma acintosa e trouxe notas de aspartame, cana de açúcar ou algodão doce, perdurando até o fim da golada. O corpo dela veio médio, mas até leve, fácil de tomar. A carbonatação foi alta e borbulhante, crocante. O final dela foi médio-seco e tostado. Retrogosto tostado de grãos/borra de café e fumaça. Essa clássica cerveja brasileira teve uma boa aparência e até interessante aroma, mas que o sabor, apesar do bom início, pecou pelo dulçor acintoso ao longo do gole que a deixou enjoativa, de baixa drinkability, sendo apenas quebrado pelo retrogosto bastante torrado de café e cinzas, que me foi agradável até.

Caracu - Sweet Stout - 5,4% ABV


Faço votos que a turnê Sangue, Suor e Cerveja venha ao Rio e que eu possa, pela terceira vez, assisti-los de perto, com cerveja em punho (seja Caracu ou não) e pogueando bastante na roda punk, saindo do show suado, cheio de hematomas, mas feliz, e por que não bêbado, mandando à m%*#@ essa tediosa sobriedade!

Tediosa sobriedade – Porcos Cegos



Hoje eu tomo todas
Para afogar minha desgraça
Pura ou com gelo
Passatempo nacional

Tenho crédito no buteco da cidade
Maldita seja tediosa sobriedade
Tediosa sobriedade

Pinga ou caipirinha
Cerveja à vontade
Bêbado à tarde
Passatempo nacional

Tenho crédito no buteco da cidade
Maldita seja tediosa sobriedade
Tediosa sobriedade

Porque eu não sou nada
Nessa minha vida
Se é o que me resta
Traz mais uma dessa
Traz mais uma dessa

Tediosa sobriedade
Passatempo nacional
Maldita sanidade
Passatempo nacional
Tediosa sobriedade
Passatempo nacional
No boteco da cidade
Passatempo nacional
Cerveja à vontade
É a nossa realidade

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