Páginas

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O REI DO 2º FESTIVAL CARIOCA DA CERVEJA ARTESANAL

Eu sou Gil Lebre Abbade Franco, tenho 30 anos, sou o criador do blog A Perua da Cerveja e mês passado eu fui ao 2º Festival Carioca de Cerveja Artesanal.



Os 10 mandamentos do Rei do 2º Festival Carioca da Cerveja Artesanal são os seguintes:

ROUPAS DE GRIFE
Você tem que se vestir com as melhores marcas. É a melhor forma de divulgar seu blog ou sua cervejaria. Usar a grife do festival também é importante. Ah, e o tirante nunca deve ser esquecido!



Você também pode seguir o exemplo do cervejeiro Marcelão DuLeblon, com seu chapéu cheio de bottons de todos os cantos do mundo.

foto: Alex Ferro


CARRÃO
Você tem que ir de carrão, um carro grande mesmo, e com motorista particular. Então nada melhor que um ônibus! Aí você pode ir com todos os amigos, levar os barris de post-mix e voltar “trêbado” sem se preocupar com a Lei Seca. É importante seguir o mantra da responsabilidade “beba menos, beba melhor” #sóquenão

ANTES DO FESTIVAL - foto: Juliana Nascimento

DEPOIS DO FESTIVAL - foto: Juliana Nascimento


CAMAROTE
Quando a pessoa está na pista ela é apenas mais uma. Mas a pista do Bola Preta estava sempre bombando! Ali não teve distinção nem tratamento VIP. Tinha que ficar na fila para experimentar a próxima cerveja caseira, com um pouco de muvuca e empurra-empurra. Mas sempre com respeito e tomando o cuidado de não derrubar a cerveja da caneca ou nos outros.

foto: Alex Ferro


SERVIÇO EXCLUSIVO
Nos camarotes sempre tem pessoas te servindo. Mas o Bola Preta não tem camarote e na pista é você quem serve sua cerveja. Mas é gratificante a sensação de extrair uma cerveja da chopeira pela primeira vez na vida. E se o cervejeiro estiver ali perto para trocar figurinhas você descobre como ele criou aquela receita, que ingredientes usou, etc.

foto: Alex Ferro

foto: Alex Ferro


SEGURANÇAS
Eu vou pra balada com segurança até por causa da minha integridade física. Portanto, por garantia, sempre tomo dois comprimidos de Engov. Um antes e depois para evitar a ressaca do dia seguinte. 

Uma ambulância ficou de plantão do lado externo do Bola Preta, caso alguém passasse mal. 

A água servida no festival foi gratuita. Localizada em pontos estratégicos, ajudou a limpar a caneca e a evitar ou ao menos retardar um pouco a embriaguez.

Segurança é importantíssimo na balada. Mas sabe uma coisa, acho até pesado falar. Eu já vomitei na balada... no banheiro.

foto: Alex Ferro


CHAMPANHE
Vou ser muito sincero. A questão da DeuS é status, eu gosto mesmo é de beber IPA! E que venham as cervejas lupuladas, maltadas, alcoólicas, com especiarias, chips de carvalho... a diversidade é o que chama atenção na balada.

Chocolate Blackout Stout (Russian Imperial Stout - 12% ABV) - Cazé Napier
Chocolate mais intenso no aroma que na boca. Sabor cítrico. Doce não exagerado nem enjoativo, bom amargor. Lembrou uma barra de chocolate com raspas de laranja. Textura densa e licorosa.

Duck Pale Ale (English Pale Ale - 5,5% ABV) - Emerson Nogueira
Notas bem presentes de coentro e um toque defumado.


Christmas Ale com abóbora (6,5% ABV) - Afonso Dolabella
Aroma de gengibre, abóbora e leve tostado. Sabor similar. Bom drinkability.

Double Blanche (Double Witbier - 7,5% ABV) - André Nader
Cítrica, condimentada e limão bem presente. Refrescante. Bom drinkability.


Orbit (Ordinary Bitter - 4,5% ABV) - Cazé Napier
Aroma bem lupulado, herbáceo e resinoso. Amargor agressivo, mas bom, sem persistir no aftertaste. Fácil de beber, leve, drinkability sensacional.


Chocomenta (American Stout - 7,2% ABV) - Pedro Fraga
Hortelã e chocolate destacados. Textura mais leve que a versão do ano passado e bem seca.

American IPA com Galaxy e Nelson Sauvin (5,5% ABV) - Lucas Moraes e Leonardo Rangel
Aromática e lupulada. Notas de uva verde, floral, herbáceo, perfume e lavanda.
Sabor similar, amargor baixo, mas fino. Amargor bom que não persistiu na boca.

Ordinary Bitter (4,7% ABV) - Bruno Vath
Aroma cítrico. Sabor similar, lembrou suco de laranja.

Lilibeth (Strong Scotch Ale - 9% ABV) - Rafael Fonseca
Aroma defumado imperativo lembrou costela com molho barbecue. Boa presença maltada, com destaque ao uso do malte de uísque. Dulçor mais presente na boca, com notas de caramelo e toffee. Sensação amadeirada.


FAMOSOS
Outra coisa importante é você ter no festival a presença de pessoas conhecidas do meio cervejeiro. Principalmente se os mesmos estiverem servindo suas próprias cervejas. É uma oportunidade de ficar mais por dentro de sua produção e muitas vezes descobrir receitas novas que estão a caminho. Agrega ao festival, agrega a sua cerveja, agrega ao meio cervejeiro, agrega a tudo.

A "celebridade" Cazé Napier, vulgo fellingporra!, servindo sua criação.


MULHERES
No festival tem que ter mulheres, mulheres cervejeiras. Só assim para acabar com o preconceito que cerveja é coisa de homem. E o festival só ocorreu graças a elas! Elas que foram as responsáveis pela produção, organização do evento, mulheres empresárias, nos estandes, apresentando suas cervejas e degustando com todos. Já a comida ficou por conta dos ogros da Ogrogastronomia, provando que lugar de homem é na cozinha!

Mais um chili burguer saindo!


MÚSICA
As baladas que eu gosto de frequentar são as de músicos que tocam por prazer, não pra ganhar dinheiro. E a balada do festival foi comandada pelos DJs Zahle e Gutza tocando o fino da música popular brasileira, petardos da black music e clássicos do ska e rocksteady jamaicanos. Bandas ao vivo também são importantíssimas na balada. No sábado A Troça tocou seu samba de raiz e domingo foi a banda General Garrafa, tocando clássicos do rock.

A Troça - foto: Alex Ferro

General Garrafa - foto: Teresa Cristina Oliveira

INSTAGRAM 
Tem que ter um Instagram. Se você não tiver, usa o Untappd. Instagram é legal, mas Untappd é muito melhor. Lá você posta foto da cerveja, marca o local onde está bebendo, divulga nas redes sociais, comenta e ainda avalia se a cerveja é boa ou ruim.

Instagram: aperuadacerveja
Untappd: Gil77

   
E quem não gostaria de ganhar o concurso interno da ACervA Carioca? Ser um dos finalistas, ganhar insumos em prêmios cedidos pela Malte & Cia e Ceres Malte, ganhar uma placa com seu nome, ter os amigos implorando por um gole da sua cerveja campeã? Quem criticar os vencedores dos estilos Ordinary Bitter e Livre com ingrediente brasileiro, é um tremendo invejoso.

Estilo Ordinary Bitter:
1° lugar - Ordinária Amarga II - Rafael Oliveira
2° lugar - Paletó - Marlos Monçores, Luiz Bento e Flavio Faccini
3° lugar - Ordinary Duck - Afonso Dolabella

Estilo Livre com ingrediente brasileiro:
1° lugar - Black Anthrax, Imperial Stout extrema com café - Marlos Monçores
2° lugar - Genoveva uma Tripel brasileira com banana e canela - Vinícius Kfuri e Pedro Butelli
3° lugar - Ghost Barro, White IPA com laranja da terra - André Fortunato e Pedro Aliperti

Leonardo Botto e seus alunos campeões



Com essas 10 dicas você já pode ir se preparando para ano que vem se tornar o Rei do 3º Festival Carioca da Cerveja Artesanal. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

TÁ CHOVENDO ABÓBORA EM TODO O BRASIL

Ano passado fiz uma postagem falando um pouco sobre as Pumpkin Ales, que são cervejas que usam abóbora nas suas receitas e a tem como principal atrativo. Criação genuinamente americana elas geralmente são lançadas sazonalmente à época das comemorações do Dia das Bruxas. Dependendo da intensidade pretendida a abóbora pode ser usada na produção durante as etapas da fervura, fermentação e/ou maturação. Pode ser usada em pedaços, na forma de purê ou aromatizante e muitas versões a utilizam assada ou em doce. Especiarias são comumente adicionadas principalmente para facilitar a associação com o doce de abóbora. O ideal é que o estilo base da receita deva ser preservado, a fim de manter suas características principais, mesmo que o carro-chefe da cerveja seja o fruto.

Uma das cervejas que ilustrou minha postagem foi a Sauber Beer Pumpkin Ale, a primeira cerveja de abóbora produzida no Brasil. Antes fabricada nas panelas do cervejeiro Renato Marquetti Jr., sua produção agora foi automatizada com a sua fábrica artesanal localizada nas dependências da chácara Vila Sauber, em Mogi Mirim. Tudo que é gerado na cervejaria é reaproveitado: a água de resfriar o mosto é reutilizada para o lago das carpas, o bagaço do malte é usado para fazer pães ou como ração para alimentar os peixes e até os temperos usados nas cervejas são retirados das plantações da chácara. O local recebe visitantes durante a realização do happy hour e em eventos gastronômicos. Esse ano alguns de seus rótulos foram registrados junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária, e a cervejaria responsável pela fabricação foi a Cervejaria Dortmund, de Serra Negra/SP. Além da Pumpkin, cuja base é uma Pale Ale, eles produziram mais outras duas receitas registradas da Sauber, a Mediterrânea (Pilsen) e a IPA. Outros estilos já foram registrados e em breve também serão lançados.

Experimentei a versão registrada e achei bem semelhante à caseira e continuo sendo fã da cerveja, que considero a melhor pumpkin disponível no Brasil – pode acrescentar aí os exemplares importados. De mudança material mesmo foi a facilidade da versão registrada ter maiores vendas graças ao aumento dos pontos de comercialização e a maior quantidade de litros produzidos pela Dortmund. O rótulo também foi alterado. Através de uma parceria com a prefeitura de Mogi Mirim, a Sauber ajudou a selecionar pinturas de artistas locais para ilustrar os rótulos de suas cervejas. Uma iniciativa que visa também encarar a nobre bebida com status de arte. Os quadros escolhidos para estampar os rótulos foram da artista plástica Cleide Andrade, auto-didata de Itapita/SP:

Sauber Beer Pumpkin Ale - 4,5% ABV
Aparência avermelhada a rubi, leve turbidez.
Espuma quase branca, baixa formação, boa criação de bolhas, textura aerada e média estabilidade.
Aroma maltado, notas de mosto, grãos, chá mate e um pouco tostado. Abóbora surgiu tão logo, mas não tão intensa, mais moderada. Junto vieram as notas de especiarias, como canela em pau, cravo e um pouco de gengibre, mais intensas que a abóbora.
Sabor de abóbora vigoroso tão logo encontrado pelo malte. Este veio com o caramelado, pão e grãos. Amargor médio, mas sem continuar. Depois veio novamente o dulçor da fruta, como uma moranga e persistiu até o fim. Notas de especiarias menos intensas que no aroma, contribuindo com sensações picantes.
Corpo médio. Carbonatação alta a agressiva, borbulhante.
Final seco. Retrogosto doce que perdurou com o condimentado, mas finalizou limpo.
Abóbora e especiarias inseridas de forma moderada deixaram a cerveja equilibrada, nada enjoativa e tranquila de beber.

Em Brasília também é possível achar cerveja com abóbora. A nanocervejaria Käfer (besouro, em alemão), do Distrito Federal, produz a Käfer H-Ale-Ween. Uma Pale Ale com base de maltes Pale e Pilsen, lúpulo Cascade e doce caseiro de abóbora adicionado na fervura. Comandada por três amigos a produção da cervejaria é caseira, feita na panela. E graças a maior liberdade de não se prenderem com fidelidade a estilos, produzem receitas criativas sempre com algum ingrediente inusitado. Como por exemplo, a Käfer Stout, que é adocicada com a adição de Ovomaltine. Muito elogiada no evento Delibeer, que em 2012 foi realizado em Brasília, infelizmente essa receita não é mais produzida atualmente. Apesar de muito saborosa, depois de algum tempo ocorria fermentação na garrafa e o açúcar do Ovomaltine carbonatava excessivamente a cerveja resultando em “gushing” (excesso de espuma saindo pelo gargalo) quando aberta. A diminuição de 4 kg para 800 g ajudou a corrigir isso, mas resultou numa Stout comum.



Já foram produzidas edições especiais para bandas undergrounds e até parcerias com restaurantes da região. A ideia é continuar criando receitas novas e sempre explorando ao máximo o que a criatividade permitir, segundo o manifesto criado por eles. Para o ano que vem a ideia é produzir uma cerveja com 666 IBUs (unidade de amargor) que utiliza a técnica de lupulagem contínua. A primeira lupulagem será adicionada aos 13 minutos da fervura e depois mais lúpulos a cada 666 segundos até atingirem o amargor pretendido.

Käfer H-Ale-Ween - 6,6% ABV
Aparência dourada a âmbar, leve turbidez, mas brilhante.
Espuma branca de média formação, boa criação de bolhas, retenção boa que deixou sujeiras nas laterais ao cair.
Aroma de predomínio frutado com notas cítricas de laranjas e tangerinas de intensidade média e bem frescas, seguidas de perto pela abóbora. Após, foi sentido um toque ácido e salgado efervescente que lembrou bicarbonato.
Sabor começou ácido e seguiu frutado, puxando o azedume, mas também o cítrico. O resultado foi um suco que lembrou limão galego com tangerina. Amargor veio depois e junto da acidez não perdurou, mas ficou sobressalente. Abóbora aqui soou mais residual e sugestionada que no aroma, onde foi mais nítida. Baixas notas maltadas. Sensação final de efervescente de vitamina C.
Corpo médio a médio baixo. Carbonatação alta, borbulhante, que somada ao corpo baixo trouxe um resultado refrescante ao conjunto.
Final seco. Retrogosto cítrico e azedo, com leve aspereza amarga, mas sem persistir.
Pale Ale agradável e com notas azedas, mas também refrescantes. A abóbora foi suplementar e serviu como um toque a mais.

A região serrana do Rio de Janeiro também foi contemplada com outra cerveja com abóbora. A microcervejaria Rock Valley, artesanal da cidade de Nova Friburgo, é comandada por dois amigos, Daniel Rocha e Valney Oliveira. Vem produzindo com frequência estilos variados de cervejas e algumas edições especiais. O último lançamento foi uma Fruit Beer com adição de polpa de morango e aromatizante, batizada de Baderna em homenagem a uma personagem histórica da região que originou a criação do substantivo.

A Pumpkin Ale deles recebeu, além dos ingredientes básicos (água, malte, lúpulo e levedura), adição de pedaços de abóboras assadas, malte de trigo e especiarias como cravo, gengibre, canela e noz moscada. Recentemente essa cerveja entrou numa lista elaborada pelo site MSN Viagem como uma das 15 cervejas mais estranhas do planeta. Na matéria também foram citados rótulos de cervejarias muito conhecidas mundialmente, como a inglesa Wells e sua cerveja de banana e as americanas Rogue e Flying Dog, respectivamente com as cervejas de bacon e ostra. Essa notícia gerou uma boa repercussão para a cerveja e à cervejaria, e até uma reportagem sobre o assunto foi realizada pelo programa de telejornal local, o SBT Cidade.




Rock Valley Pumpkin Ale - 6% ABV
*CONSUMIDA EM 21/09, APÓS O VENCIMENTO DE 10/09
Aparência âmbar a cobre, brilhante, boa limpidez e algumas bolhas em subida.
Espuma branca de baixa criação, média formação de bolhas (aerada), baixa estabilidade, que deixou um halo no copo e sujou pouco os lados.
Aroma iniciou com a já esperada abóbora e especiarias com intensidade média a média-alta. Notas de doce de abóbora e de condimentado, picante de canela, cravo e gengibre. Essas sensações dominaram o aroma, sem a possibilidade de sentir notas dos maltes e lúpulos.
Sabor começou similar ao aroma, com o condimentado e a abóbora em destacado primeiro plano. Porém certa acidez residual apareceu em seguida, como um corte. Notas de fermento (leve acético) apareceram e persistiram um pouco até o final. Senti um pouco mais de malte aqui, como os grãos.
Corpo médio para médio-baixo. Carbonatação média e de textura levemente frisante.
Final seco. Retrogosto ácido, acético e fim levemente condimentado.
O aroma está dentro da proposta, é abóbora e condimentado pleno. O sabor começou bem, mas as notas acéticas prejudicaram o conjunto. Certamente por culpa do consumo após o vencimento.

O cervejeiro caseiro e membro da ACervA Carioca, Bruno Vath, é o responsável por produzir na cidade de Niterói a sua versão de pumpkin. A cerveja Vath’s Bier Halloween Imperial Pumpkin Smoked IPA tem como base o estilo Imperial/Double IPA e leva seis variedades de maltes, inclusive defumado, oito variedades de lúpulos adicionados durante a fervura e dry hopping, adição de pedaços de abóbora que foram previamente assados na churrasqueira em fogo a lenha, e uma gama de especiarias, como canela em pau, pimenta da Jamaica, noz moscada e gengibre. Bebi a cerveja duas vezes e na segunda garrafa o defumado se mostrou presente de forma bastante evocada, quando na primeira foi mais no residual.



Com menos de um ano produzindo cervejas, totalizando até agora 23 brassagens, o Bruno faz toda sua produção sozinho em sua casa. Os mais variados estilos já foram produzidos e quando repetidos é sempre alterada alguma coisa na receita, nunca saindo exatamente igual a anterior. A cervejaria Vath’s Bier foi assim nomeada como uma homenagem ao sobrenome da família e sua primeira receita foi uma cerveja de trigo, batizada com o nome do falecido avó paterno. A ideia é produzir mais até o fim do ano, mas alguns rótulos já foram definidos. Serão feitas duas reedições de receitas: a Colheita MalDIPA v.2, que é uma boa Double IPA que tem um criativo rótulo baseado no filme de terror Colheita Maldita; e a Infatable!Witbier, que nessa leva terá especiarias novas e bem frescas que casarão de forma agradável com o verão carioca.

Vath's Bier Halloween Imperial Pumpkin Smoked IPA - 8,2% ABV
Aparência caramelada e fechada, de reflexos alaranjados.
Espuma com boa criação, bronzeada, boa persistência que sujou os lados e finalizou aerada.
Aroma trouxe em primeiro plano a abóbora e as especiarias presentes de forma bastante nítida, com intensidade média-alta e sentidas em conjunto, misturadas. Tão logo veio o defumado, atraindo notas salgadas de carne de porco, em especial o bacon, e essa sensação acabou por permanecer ditadora. Notas picantes do gengibre e cravo ficaram mais acintosas conforme foi esquentando. Notas perfumadas e florais que podem ter sido confundidos com as especiarias, álcool e lúpulos evocados. Por detrás veio o frutado cítrico, em especial o abacaxi. Notas de leveduras.
Sabor começou parecido com o aroma com as mesmas notas esperadas de uma Pumpkin. Mas rapidamente veio o amargor herbáceo. E ainda tão rápido veio o defumado bem presente e intenso, que contribuiu com toques salgados de carne de porco. Ficou uma salada de sabores bem equilibrada, ao mesmo tempo com notas amargas e temperadas da lupulagem, picantes dos condimentos e ainda salgadas da defumação. Ao contrário de parecer soar uma confusão, resultou num conjunto harmonioso. Notas de álcool perfumado.
Corpo médio a médio-alto. Carbonatação aparente, média a crocante. Álcool presente, mas sem prejudicar.
Final longo e com retrogosto condimentado persistindo como um perfume na boca e principalmente defumado.
Miscelânea de sensações que embora pudesse parecer desorganizada resultou numa cerveja muito boa e levemente complexa.

Um dos últimos lançamentos nacionais de cerveja com abóbora foi promovido pela mineira Wäls. A cerveja Wäls Abróba (IPA)² foi produzida exclusivamente para o clube de assinaturas Have a Nice Beer. Sua criação foi cercada de expectativa mesmo antes de lançada. Nas redes sociais da cervejaria fotos eram postadas contando detalhes da produção e ingredientes usados, que foi cercada de mistérios sobre o estilo escolhido. No final foi revelado que a cerveja seria uma Double IPA que utilizava fermento belga e recebia adição de doce artesanal de abóbora oriundo da região de Araxá/MG. A cerveja apresentou 9% de teor alcoólico, 93 unidades de amargor e foi acondicionada em garrafas arrolhadas que são a marca registrada da cervejaria. Os sócios do clube que estiverem interessados ainda podem encomendar em tempo a cerveja em kits de 2 unidades. Ontem foi realizado seu lançamento oficial no Empório Alto dos Pinheiros, em São Paulo. O evento contou com a presença dos sócios da Wäls, os irmãos José Felipe e Tiago Carneiro, dos sócios do HNB e da imprensa especializada. Foi aberto um barril de 30 litros da Abróba e garrafas da cerveja foram vendidas no local.

Dirk Van Dyck segurando a Wäls Quadruppel - foto: Gustavo Renha
Mal lançaram a Abróba e a cervejaria já está aprontando uma receita nova. Novamente secreta, sobre o futuro lançamento da Wäls só foi adiantado que receberá adição de figos e uvas passas brancas do Chile. Muitos especulam qual estilo será, que por enquanto ainda não foi divulgado pela cervejaria. Vale recordar também a mais recente alcunha alcançada pela Wäls. Mês passado ela ganhou um importantíssimo prêmio no Mondial de La Bière realizado em Mulhouse, França. A Wäls Petroleum recebeu medalha de ouro por ter entrado na lista das dez cervejas que mais chamaram a atenção dos juízes dentre todas as cervejas do mundo todo avaliadas no concurso. As brasileiras Colorado Ithaca e Bodebrown Perigosa Imperial IPA também foram agraciadas com a medalha dourada. Lembrando que a Petroleum começou como uma cerveja caseira de criação da Cervejaria Dum que agora também a está fabricando de forma registrada. Outro fato interessante envolvendo a Wäls foi descoberto pelo sommelier de cervejas Gustavo Renha. Numa viagem recente à Europa ele visitou o lendário bar da Antuérpia, Kulminator. Após anunciar ao dono que trabalhava com cervejas no Brasil, o mesmo fez questão de ir aos fundos do bar e trazer uma garrafa vazia da que considera a melhor cerveja brasileira que já bebeu, a Wäls Quadruppel. Emocionado pela descoberta, o sommelier contou a história de vida da Wäls, uma cervejaria comandada pela mesma família desde os tempos em que produziam sucos e refrigerantes, e prometeu retornar novamente com mais rótulos da Wäls para degustarem juntos.

Wäls Abróba (IPA)² - 9% ABV
Aparência turva, com algum reflexo alaranjado contra a luz, mas de perfil avermelhada.
Espuma bege com média a média-alta formação, boa criação de bolhas, retenção boa, sequência aerada e boa fixação de sujeira nas laterais.
Aroma com boa lupulagem evocada, de caráter frutado e herbáceo, onde as notas de laranjas e grapefruit se encontram com notas gramíneas, de mato e até um pouco picantes. Foi possível perceber a base maltada, com algumas notas carameladas, tostadas e até queimadas de melaço.
Sabor começou picante e amargo. Seguiu com o dulçor, tanto advindo das notas de frutas cítricas, quanto do caramelado dos maltes. O frutado trouxe as mesmas notas do aroma, inclusive ranços de frutas vermelhas (morango?). Amargor herbal, de intensidade moderada, persistente, e que embora tenha sido sentido de forma precoce, não foi agressivo. No meio da boca foi sentido levemente o resinoso. E no fim da boca a percepção doce retornou suculento, junto com um toque de flores e finalizou com o herbáceo/amargo. Depois de esquentar e umas goladas a mais, senti um sutil condimentado, certamente da levedura belga. Essa sensação reforçou a abóbora, resultando naquele gosto de "doce de abóbora da avó", tão comum nas Pumpkin Ales. Mas a sensação final da abóbora foi inexpressiva.
Corpo médio a médio-alto, com certa maciez aveludada. Carbonatação média a média alta, com certa sensação crocante. Álcool bem inserido, mas que pôde ser confundido com a lupulagem.
Final seco. Retrogosto agridoce: doce do malte ou abóbora e amargor de mato, com leve aspereza e baixa persistência.
Boa Double IPA que apresentou um bom amargor. Notas herbáceas e frutadas bem inseridas, e boa presença dos maltes. A abóbora aqui ficou suplementar e sutil, surgindo apenas na boca e no fim do gole.
Existem outras opções de cervejas com abóbora no mercado, principalmente as importadas do mercado americano e até do europeu. Cada vez mais são lançadas edições nacionais e é sempre bom ficar atento aos produtores caseiros, muito criativos nas suas receitas que muitas vezes acabam servindo de influência para as maiores cervejarias. É muita abóbora espalhada por todo o Brasil!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

2º FESTIVAL CARIOCA DA CERVEJA ARTESANAL

Nos dias 26 e 27 de outubro será realizado o 2º Festival Carioca da Cerveja Artesanal. Evento organizado pela ACervA Carioca em parceria com a Delibeer Eventos Cervejeiros que novamente vai ocorrer na sede do Bola Preta, na Lapa. Como ano passado o evento superlotou, principalmente no sábado, os organizadores resolveram diminuir a lotação máxima para esse ano. Para cada dia a quantidade total será de 500 pessoas, a fim de garantir um maior conforto a todos os presentes. O que não diminuiu foi o número de cervejas enviadas pelos cervejeiros caseiros da associação. Estimou-se para esse ano que fosse atingido o número de 2000 litros de cervejas de panela jorrando das torneiras das chopeiras e das garrafas. Até o momento da postagem o número registrado era de 1573 litros.



Não apenas com cerveja se faz uma boa festa, mas comida e música também são essenciais. Os caras da Ogrogastronomia novamente marcam presença com seu famoso e portentoso Chilli Burger. O bar do Bola Preta também vai apresentar variadas opções de comidas de boteco (na fanpage da ACerva é possível ver o menu com os preços). As comidas só podem sem compradas no dinheiro ou com cartão de débito. Já a boa música ficará a cargo de Zahle e Gutza, os DJs da festa, e de duas bandas tocando ao vivo. No sábado a festa será encerrada com roda de samba do grupo Troça e o domingo será a vez do General Garrafa tocando clássicos do Rock and Roll.

Os ingressos de sábado já esgotaram faz tempo, mas os de domingo ainda podem ser adquiridos através da fanpage da ACervA Carioca, viaLikeStore. Mas é bom correr, pois já estão quase esgotando também. O valor custa R$ 110 e dá direito a degustação de todas as cervejas servidas na pressão, dentre caseiras e de algumas cervejarias nacionais, cervejas engarrafadas dos caseiros, água para limpar o paladar entre as degustações e não ficar embriagado, caneca do evento como brinde e a possibilidade de assistir aos shows. A retirada das pulseiras deve ser feita na bilheteria mediante apresentação de documento de identidade do comprador. E vale lembrar que é proibida a entrada de menores de 18 anos até mesmo se acompanhado dos pais.

Outra atração da festa, uma das mais aguardadas pelos cervejeiros caseiros, será a divulgação no sábado do resultado dos vencedores do concurso interno da ACervA Carioca. Esse ano os estilos escolhidos para concorrer foram o Ordinary Bitter e o Specialty Beer (estilo livre) com ingredientes brasileiros. Os três primeiros lugares de cada categoria serão premiados com insumos, como maltes, lúpulos e fermentos, cedidos pelas empresas Malte & Cia e Ceres Malte.



Para saber um pouco sobre como foi o festival do ano passado, basta acessar o link:


terça-feira, 22 de outubro de 2013

3 ANOS DE UNTAPPD

O Untappd, o aplicativo para smartphones mais utilizado por apreciadores de cervejas do mundo completou hoje três anos de existência. Descrito como uma comunidade online de cerveja ele permite que seja compartilhado o que se está bebendo naquele momento com todos os amigos de sua rede. E da mesma forma saber o que eles estão bebendo e como avaliaram aquela determinada marca através da pontuação de tampinhas e pela opinião escrita sobre ela. É possível marcar o local onde se bebe, localizar bares e cervejarias próximas de sua região e também saber onde encontrar boas marcas de cervejas por perto. Mas o principal é ter a mão o registro de tudo o que já foi consumido e relembrar, caso a memória gustativa falhe, a impressão que aquela determinada cerveja causou.

O que atualmente mais tem atraído seus usuários são os badges, selos característicos a serem conquistados. Você pode ganhar um badge quando beber uma cerveja no dia do seu aniversário, um “vá com calma” quando exceder a quantidade normal de cervejas durante um dia e um “eu acredito na IPA” conforme for bebendo diferentes cervejas desse estilo. Um dos últimos selos criados foi uma homenagem ao Brasil e para conquista-lo basta beber diferentes cervejas brasileiras. Um sinal que os criadores veem que nosso mercado está em crescimento. Mas crescimento não apenas pela gama de usuários brasileiros cadastrados no aplicativo, mas também pela elaboração constante de novos rótulos artesanais, inclusive com alguns já importados para o exterior, principalmente o mercado americano.

selo Suds Samba


Uma festa comemorativa foi organizada hoje, às 19 horas, por um dos criadores do Untappd. O escolhido foi o bar nova-iorquino The Pony Bar. A entrada foi gratuita, com comida de graça e algumas principais cervejas, marcadas no app na área de Nova Iorque, foram selecionada especialmente para a data. Os presentes também concorreram a cartões no valor de 20 dólares para serem gastos no bar. Para participar o usuário precisava fazer check-in da cerveja que estava bebendo na hora e marcar sua localização no bar da festa. Caso fosse premiado o aplicativo informava isso imediatamente.

Confesso que só soube do aniversário do app quando fiz nessa madrugada o check-in da cerveja Founders Pale Ale. Uma boa representante do estilo American Pale Ale, mas sem maiores destaques. E para completar, meu exemplar ainda estava vencido fazia um mês, portanto com lupulagem não tão fresca. Foi apenas um despretensioso check-in de marcação, feito enquanto assistia a um filme e petiscava alguma coisa. Mas igual a boa parte dos usuários, também sou viciados no aplicativo e se bebi tenho que registrar.

Bebendo socialmente por três anos!


Que o Untappd tenha vida longa. O mesmo melhorou muito de um tempo pra cá, principalmente nos problemas de bugs constantes que agora diminuíram bastante, a meu ver. Tem algumas coisas a melhorar, principalmente na localização das cervejas. Ainda é necessário digitar corretamente o que se está procurando, senão o aplicativo não localiza o que você quer marcar. Mas como um todo funciona muito bem e a cada vez mais é possível perceber a entrada de novos usuários na rede, inclusive aqueles que entram para cadastrar suas cervejas caseiras. Algumas cervejarias também o aproveitam como uma excelente ferramenta para receber um retorno do que as pessoas acham de seus rótulos, funcionando também como uma forma gratuita de divulgação de sua marca e produtos.

Quem quiser saber o que eu ando bebendo atualmente pode me adicionar no aplicativo e me localizar como o usuário Gil77 ou clicar no ícone permanente localizado à direita do blog.

Beba socialmente

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

MEU BUENOS AIRES QUERIDO, MUITO ALÉM DE QUILMES - Parte 1

Edificio del Ministerio de Obras Públicas
No final do mês passado tive o privilégio de conhecer a cidade de Buenos Aires. Uma semana foi o suficiente para me apaixonar, mas pouco para absorver toda sua cultura e rica história. Cervejas e bares da região foram devidamente incluídos no roteiro turístico. Não deu para conhecer todos, mas nada que um retorno a mi Buenos Aires querido não resolva.

O primeiro dia da viagem foi dedicado a conhecer um pouco o entorno do bairro onde me encontrava, o Microcentro. Fiquei hospedado num albergue na Rua Rivadavia, localizado na altura paralela à famosa Avenida de Mayo e transversal à Avenida 9 de Julio, a maior avenida da América Latina. Encarei a chuva e os sete graus que faziam para conhecer a Plaza de Mayo, sua Pirámide, seus chafarizes, monumentos e faixas de protestos. Também acompanhei um pouco a festa de boas-vindas à primavera que estava sendo realizado no local. Tudo margeado pela Casa Rosada (ainda mais rosada à noite), pelo Banco de La Nación, El Cabido e Ministerio de Economia. Depois de tirar algumas fotos, espantar o frio se fez necessário com a ajuda de um bom café. Como o tradicional Café Tortoni estava com sua habitual fila de entrada resolvi escolher outro, o Café Martínez. É uma cafeteria que existe desde 1933, mas que já há 20 anos conta com várias sucursais e franquias espalhadas pelo mundo, muitas delas em cada esquina de Buenos Aires. É um ambiente mais moderno, o oposto dos famigerados cafés portenhos, mas que serve uma gostosa meia lua, tostadas acompanhadas de queijo cremoso e marmelada, um bom café e um delicioso alfajor.

Um belo lanche no Café Martínez

Uma rápida ida ao mercado Carrefour para comprar alguns suprimentos, que ficava próximo do meu albergue, proporcionou meu primeiro contato com boas cervejas argentinas. Comprei quatro artesanais: duas Kunstmann, a Torobayo e a Bock, chilenas que atualmente tiveram sua importação retornada ao Brasil; e duas Berlina, a Patagonia India Pale Ale e a Patagonia Foreingn Stout, argentinas da região da Patagônia. Gostei mais das argentinas, muito boas e fiéis aos respectivos estilos, virei fã.

É uma pena que as cervejas da Berlina não são importadas pra cá. Fariam um bom par junto as Antares que por aqui andam meio sumidas das prateleiras. Atualmente além dos dois rótulos citados também é engarrafa uma Golden Ale. Todas são fabricadas no brewpub localizado na província do Río Negro, em Colonia Suiza, ao pé da Cordilheira dos Andes. Com oito anos de existência eles também possuem um restaurante localizado na mesma região e uma parceria com grifes de roupas chamado B-Market, onde também são servidas suas cervejas.

A India Pale Ale já ganhou medalhas na South Beer Cup e na Copa Cervezas de América. Tem 58 de IBUs (unidades de amargor), 5% de teor alcoólico e conta na receita com quatro variedades de lúpulos sendo dois de origem patagônica, como por exemplo, o Cascade da região:

Berlina Patagonia India Pale Ale - English IPA - 5% ABV
Aparência cobre intensa e brilhante, totalmente límpida com boa quantidade de bolhas subindo.
Espuma branca com baixa formação, má criação de bolhas, baixa estabilidade que caiu rapidamente e finalizou com um halo, além de sujeira fixa nos lados.
Aroma começou maltado, com intensidade média a quase média-alta, trazendo notas carameladas, de bala toffee e até tostadas. Lupulagem contribuiu com rústico terroso, lembrando muitas as cervejas inglesas, trazendo resinoso de verniz e final frutado quase cítrico (laranja queimada?).
Sabor começou frutado e resinoso. Mesmo frutado do aroma, mas aqui mais intenso e com nota de laranja madura, seguido de perto por casca de árvore, terra vermelha, notas terrosas de alta intensidade. A resina de verniz está bem presente. Impossível não recordar a escola inglesa, bem fiel. Dos maltes é aquele doce de casamelo, bala toffee suculenta e até um toque de chocolate residual. Antes do fim ela volta novamente frutada.
Corpo médio. Carbonatação média-alta, frisante e borbulhante.
Final médio-seco. Retrogosto caramelado e amargo, persistente e com uma leve aspereza.

Medalhista nos mesmos campeonatos e também no Somos Cerveceros, a Foreign Stout possui 47 IBUs e 6% de teor alcoólico, utiliza cinco tipos de maltes e três variedades de lúpulos:

Berlina Patagonia Foreign Stout - Foreign Extra Stout - 6% ABV
Aparência preta e fechada.
Espuma bege a quase marrom, com baixa formação, boa criação de bolhas, média estabilidade.
Aroma com maltes intensos, de carga média a média-alta, trazendo notas torradas que remeteram ao café capuccino, ao chocolate trufado e ao biscoito doce (waffer). Bem no final foi possível sentir uma lupulagem herbácea. Do meio pra frente o doce de biscoito ficou mais forte.
Sabor com início levemente defumado puxado para o esfumaçado. Seguiu torrado, defumado ainda persistente e com algumas notas láticas e de frutas vermelhas em seguida, mas fugazes. Afirmativo mesmo foi o dulçor abiscoitado, o café e um sutil chocolate (mais vivo no aroma). Amargor torrado ficou aparente, mas sem persistir, apenas substancial. Um pouco de frutado de maçã no fim, mas nada prejudicial.
Corpo médio. Carbonatação idem.
Final seco. Retrogosto doce e tostado, mas limpo.

Nas próximas postagens falarei sobre os demais dias de viagem por BsAs. Muita coisa boa foi visitada e novos pontos cervejeiros foram desbravados. Acompanhem!

Casa Rosada à noite e os cartazes de protesto que cercam a Plaza de Mayo