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segunda-feira, 1 de abril de 2013

BLACK OPS #cervejadementira


Uma das mais notáveis cervejas que tive oportunidade de provar no ano de 2012 e, inclusive, dentro de meu estilo de cerveja preferido, o Russian Imperial Stout, foi a Brooklyn Black Ops. Aliás, antes que me chamem de mentiroso, que se trata de alguma lorota de primeiro de abril, retifico: foi uma das mais notáveis cervejas que eu teria provado em 2012 caso ela existisse de fato. Só que não.

nem no site da cervejaria Brooklyn eles sabem que cerveja é essa que eles próprios produzem


Uma cerveja tão especial, mas que infelizmente não existe. A Brooklyn não fez, seus funcionários não sabem, o Garret Oliver desconhece e até o Zeca Pagodinho disse "nunca vi, nem bebi, eu só ouço falar". Mesmo que algumas pessoas informem, alguns sob tortura, que se trata de uma Russian Imperial Stout de respeito que envelheceu por quatro meses em barris de Bourbon e que foi refermentada na garrafa com leveduras de Champagne, ninguém nunca poderá atestar essa veracidade. E alguns ainda informam que apenas 1000 exemplares dela são produzidos anualmente, já outros teimam em dizer que ela começou a ser feita em 2008 e que de lá para cá sua graduação alcoólica oscilou algumas vezes.

Woodford Reserve, Bourbon cujos barris de madeira supostamente foram usados  para acondicionar a Black Ops

Caso eu realmente tivesse provado essa cerveja secreta no ano passado, certamente a minha análise seria mais ou menos da seguinte forma, mas já adianto que isso é apenas uma suposição e reitero que nunca a bebi:

A apresentação viria com uma cor fechada e negra, de aspecto denso. Sua espuma seria de pouca altura, contida e finalizaria com fina película de cor bege. Aroma viria com uma intensa madeira que atrairia toques de coco, baunilha e possivelmente uma interessante flora. Creio que uma leve pimenta. O chocolate seria bem encoberto e a maltagem ficaria obsoleta frente sua rigorosa madeira. Conforme ela esquentasse, seria expelido um defumado de carne de porco. O sabor viria mais interessante, mostrando maior gama de sensações e um maior equilíbrio. O início viria tostado de toques esfumaçados e realçaria os maltes com o achocolatado e o café. Em seguida viria o toque picante das pimentas vermelhas, bem convidativo e de suculenta picardia. O amadeirado eu acredito que estaria mais equilibrado no sabor que no aroma, onde evocaria novamente a baunilha e o coco, mas que na persistente maltagem se perderiam. Do meio do gole, entre o picante que se manteria, viriam os toques de biscoito wafer e um caramelizado. O álcool seria bem inserido, equilibrado e volatizaria uma nuance de frutas vermelhas, bem inseridas, além de toques mentolados, que contribuiriam com o amargor. O corpo dela se mostraria médio e com alguma maciez, mas sem licorosidade. O fim dela seria seco e de residual tostado. O retrogosto traria de novo o amadeirado.

Brooklyn Black Ops, 2012 - Russian Imperial Stout (dizem!) -  10,7% ABV (suspeitam!)


Indo totalmente contra a corrente do #cervejadeverdade, eu sugiro a todos beberem nesse primeiro de abril uma cerveja de mentira, mas claro, se esta também estiver a altura da Black Ops, digo, caso ela existisse.

3 comentários:

  1. Não entendi a piada...

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  2. a Black Ops é conhecida por ser a cerveja que não existe, e esse marketing/brincadeira foi criado pela própria cervejaria Brooklyn, que se inspirou nas atividades secretas e clandestinas, denominadas "black ops", organizadas por governos ou militares e sempre negadas por estes.

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  3. ah, sim!! belo texto, parabéns!

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