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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

MEU BUENOS AIRES QUERIDO, MUITO ALÉM DE QUILMES - Parte 1

Edificio del Ministerio de Obras Públicas
No final do mês passado tive o privilégio de conhecer a cidade de Buenos Aires. Uma semana foi o suficiente para me apaixonar, mas pouco para absorver toda sua cultura e rica história. Cervejas e bares da região foram devidamente incluídos no roteiro turístico. Não deu para conhecer todos, mas nada que um retorno a mi Buenos Aires querido não resolva.

O primeiro dia da viagem foi dedicado a conhecer um pouco o entorno do bairro onde me encontrava, o Microcentro. Fiquei hospedado num albergue na Rua Rivadavia, localizado na altura paralela à famosa Avenida de Mayo e transversal à Avenida 9 de Julio, a maior avenida da América Latina. Encarei a chuva e os sete graus que faziam para conhecer a Plaza de Mayo, sua Pirámide, seus chafarizes, monumentos e faixas de protestos. Também acompanhei um pouco a festa de boas-vindas à primavera que estava sendo realizado no local. Tudo margeado pela Casa Rosada (ainda mais rosada à noite), pelo Banco de La Nación, El Cabido e Ministerio de Economia. Depois de tirar algumas fotos, espantar o frio se fez necessário com a ajuda de um bom café. Como o tradicional Café Tortoni estava com sua habitual fila de entrada resolvi escolher outro, o Café Martínez. É uma cafeteria que existe desde 1933, mas que já há 20 anos conta com várias sucursais e franquias espalhadas pelo mundo, muitas delas em cada esquina de Buenos Aires. É um ambiente mais moderno, o oposto dos famigerados cafés portenhos, mas que serve uma gostosa meia lua, tostadas acompanhadas de queijo cremoso e marmelada, um bom café e um delicioso alfajor.

Um belo lanche no Café Martínez

Uma rápida ida ao mercado Carrefour para comprar alguns suprimentos, que ficava próximo do meu albergue, proporcionou meu primeiro contato com boas cervejas argentinas. Comprei quatro artesanais: duas Kunstmann, a Torobayo e a Bock, chilenas que atualmente tiveram sua importação retornada ao Brasil; e duas Berlina, a Patagonia India Pale Ale e a Patagonia Foreingn Stout, argentinas da região da Patagônia. Gostei mais das argentinas, muito boas e fiéis aos respectivos estilos, virei fã.

É uma pena que as cervejas da Berlina não são importadas pra cá. Fariam um bom par junto as Antares que por aqui andam meio sumidas das prateleiras. Atualmente além dos dois rótulos citados também é engarrafa uma Golden Ale. Todas são fabricadas no brewpub localizado na província do Río Negro, em Colonia Suiza, ao pé da Cordilheira dos Andes. Com oito anos de existência eles também possuem um restaurante localizado na mesma região e uma parceria com grifes de roupas chamado B-Market, onde também são servidas suas cervejas.

A India Pale Ale já ganhou medalhas na South Beer Cup e na Copa Cervezas de América. Tem 58 de IBUs (unidades de amargor), 5% de teor alcoólico e conta na receita com quatro variedades de lúpulos sendo dois de origem patagônica, como por exemplo, o Cascade da região:

Berlina Patagonia India Pale Ale - English IPA - 5% ABV
Aparência cobre intensa e brilhante, totalmente límpida com boa quantidade de bolhas subindo.
Espuma branca com baixa formação, má criação de bolhas, baixa estabilidade que caiu rapidamente e finalizou com um halo, além de sujeira fixa nos lados.
Aroma começou maltado, com intensidade média a quase média-alta, trazendo notas carameladas, de bala toffee e até tostadas. Lupulagem contribuiu com rústico terroso, lembrando muitas as cervejas inglesas, trazendo resinoso de verniz e final frutado quase cítrico (laranja queimada?).
Sabor começou frutado e resinoso. Mesmo frutado do aroma, mas aqui mais intenso e com nota de laranja madura, seguido de perto por casca de árvore, terra vermelha, notas terrosas de alta intensidade. A resina de verniz está bem presente. Impossível não recordar a escola inglesa, bem fiel. Dos maltes é aquele doce de casamelo, bala toffee suculenta e até um toque de chocolate residual. Antes do fim ela volta novamente frutada.
Corpo médio. Carbonatação média-alta, frisante e borbulhante.
Final médio-seco. Retrogosto caramelado e amargo, persistente e com uma leve aspereza.

Medalhista nos mesmos campeonatos e também no Somos Cerveceros, a Foreign Stout possui 47 IBUs e 6% de teor alcoólico, utiliza cinco tipos de maltes e três variedades de lúpulos:

Berlina Patagonia Foreign Stout - Foreign Extra Stout - 6% ABV
Aparência preta e fechada.
Espuma bege a quase marrom, com baixa formação, boa criação de bolhas, média estabilidade.
Aroma com maltes intensos, de carga média a média-alta, trazendo notas torradas que remeteram ao café capuccino, ao chocolate trufado e ao biscoito doce (waffer). Bem no final foi possível sentir uma lupulagem herbácea. Do meio pra frente o doce de biscoito ficou mais forte.
Sabor com início levemente defumado puxado para o esfumaçado. Seguiu torrado, defumado ainda persistente e com algumas notas láticas e de frutas vermelhas em seguida, mas fugazes. Afirmativo mesmo foi o dulçor abiscoitado, o café e um sutil chocolate (mais vivo no aroma). Amargor torrado ficou aparente, mas sem persistir, apenas substancial. Um pouco de frutado de maçã no fim, mas nada prejudicial.
Corpo médio. Carbonatação idem.
Final seco. Retrogosto doce e tostado, mas limpo.

Nas próximas postagens falarei sobre os demais dias de viagem por BsAs. Muita coisa boa foi visitada e novos pontos cervejeiros foram desbravados. Acompanhem!

Casa Rosada à noite e os cartazes de protesto que cercam a Plaza de Mayo

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