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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

INVASÃO CARIOCA (parte 1) - IPA Day Brasil 2014

A camiseta da "invasão carioca" apareceu no vídeo do blog All Beers


Antes de começar a postagem deixo aqui o agradecimento ao amigo Daniel Martins. Foi ele quem teve a iniciativa de organizar uma "invasão" até Ribeirão Preto, de cariocas e niteroienses sedentos por lúpulo. Não apenas sommelier de cervejas, cervejeiro caseiro, designer, cozinheiro e outras coisas mais, mas o cara ainda arruma tempo para organizar excursão cervejeira. Valeu, Daniel!

Bom, a diversão do IPA Day Brasil 2014 começou do lado de fora do evento. Murilo Foltran, cervejeiro da DUM, estava com sua chopeira e o mais novo lançamento da cervejaria, a Karel IV. Trata-se de uma imperial american lager bem lupulada e alcoólica, mas que por motivos de força maior não marcou presença no evento – afinal, ela não é uma IPA e muito menos uma ale.

Criador e criatura, Murilo Foltran e DUM Karel IV


Já dentro da festa priorizei experimentar cervejas desconhecidas e os lançamentos. Portanto a Weird Barrel cumpriu bem esses papéis. O novo projeto do Rafael Mosqueta e João Backer – que também são os organizadores do IPA Day – é essa cervejaria de inspiração americana e que até o final do ano vai virar um brewpub em Ribeirão Preto. Na festa estavam plugadas as cervejas Pirate’s Flip (um session IPA com gengibre) e Naughty Grog (uma India Black Ale envelhecida em barril de rum). A Pirate’s Flip recebeu o segundo lugar como melhor cerveja do evento segundo o público presente e confesso que também foi uma das minhas preferidas, mas reconheço que para alguns o gengibre possa soar um pouco enjoativo.

Weird Barrel Pirate's Flip (session IPA com gengibre/spice, herb or vegetable beer) - 3,8% ABV
Amarela e turva. Aroma de gengibre que repete no sabor e que foi equilibrado com o amargor. Leve e seca. Sensação satisfatória e refrescante. Boa drinkability.

Weird Barrel Naughty Grog - India black ale/wood and barrel aged strong beer) - 7,8% ABV
Cor ameixa. Aroma adocicado lembrando o rum e no fim notas de chocolate e lúpulo. Esquenta e volatiza baunilha e frutas escuras/secas. Sabor lupulado, frutado (ameixa) e doce. Madeira moderada. Amargor e álcool marcantes. Aftertaste seco, amargo e torrado. Drinkability baixa.



A cerveja preferida segundo o público foi a Cacau IPA, da Bodebrown. Da cervejaria eu bebi apenas a Montfort Rye IPA, que na minha opinião estava perfeita. Foi a minha preferida e se mostrou a mais equilibrada dentre as cervejas presentes. Claro que não consegui provar todas que estavam disponíveis no evento, mas essa valeu algumas repetições.

Bodebrown Rye IPA Montfort - american IPA/rye beer - 6,1% ABV
Cor cobre. Aroma/sabor lupulado e fresco, frutada (melão), cítrica, floral e leve picante de tempero graças ao centeio. Amargor moderado, corpo leve e de alta drinkability.
Maniba Black Metal IPA - India Black Ale - 7,2% ABV
Não avaliei


O Mr. Beer foi a loja oficial do evento e apresentou seus novos lançamentos de cervejas americanas a preços promocionais. Interessante foi o novo projeto deles, o Hop Soul. Trata-se de um borrifador de odor já instalado em algumas lojas da rede e que está nos planos de ser comercializado mais pra frente. O que estava no evento borrifava lúpulo da variedade Cascade e seu aroma foi bem marcante.

"Mamãe, quero fazer cocô na casa do Pedrinho!"


Sempre tive curiosidade em saber quem era o pobre coitado que ficava debaixo daquela fantasia de urso da Colorado. E apesar de não o ser, Marcelo Carneiro (proprietário da marca), usou a fantasia por certo momento. E motivado pelo calor que fazia em Ribeirão Preto, ampliado dentro da fantasia, fez o desafio do balde de gelo. Resta saber se fez a doação financeira à instituição de pesquisa em combate a ELA (esclerose lateral amiotrófica).

The bear is dead.


Confesso que não sou muito fã de banda cover, prefiro as que tocam músicas autorais. Mas me rendi à banda Microbius Experience, pois era notório que tocavam com virtuosismo e paixão. Cumpriram bem o seu papel tocando clássicos do rock e hard rock e entreteram bem o público no fechamento do evento.

Destaco também as cervejas do Rio que marcaram presença e representaram bem o estado, como a Noi Amara, da cervejaria da minha cidade, Niterói, e a Therezópolis Jade, do simpático cervejeiro Gabriel di Martino. Outra que apreciei foi a Session IPA da Landel, a ainda um pouco desconhecida Maniba Black Metal IPA e a Dama Imperial Coffee IPA, um dos melhores lançamentos da Dama Bier.


A postagem foi um pequeno resumo de minhas impressões sobre o festival. A melhorar para 2015 seria a tentativa da diminuição das filas, mas aí ou conseguem um espaço maior ou reduzem a quantidade de público. Seria interessante também mais opções (e mais baratas) de comida ou até mesmo incluí-la no pacote e servi-la de forma gratuita, até mesmo que aumentem o valor do ingresso. Eu que sou meio pão-duro pra certas coisas não gostei de pagar 5 reais na chapelaria, ainda mais que me informaram que ano passado foi de graça, mas entendo que é grande a responsabilidade de proteger o bem alheio e talvez isso demande um certo custo. No mais a festa foi muito bem executada, com muito mais acertos do que erros e parabenizo a todos os envolvidos por realizar de forma competente a festa mais amarga do Brasil.

Em postagens futuras falarei sobre demais lugares de Ribeirão Preto desbravados pela "invasão carioca". Acompanhem e até lá!

arte: Coletivo CORJA

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