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terça-feira, 30 de setembro de 2014

CIOCCOLATO – A mais nova ousadia da Cervejaria Noi



A Cervejaria Noi é a primeira artesanal registrada de Niterói. Iniciou em 2011 quando era distribuída apenas em chope. Passou a ser engarrafada em 2012 e ano passado começou a participar de concursos cervejeiros em festivais. Ganhou medalhas, reconhecimento e hoje tem uma abrangência maior. Sempre sob o comando do Gilmar Gutbrodt – mestre cervejeiro gaúcho que trabalhou por muito tempo na Brahma e depois Dado Bier – a cervejaria atualmente conta também com a ajuda do Guilherme, paranaense formado no Centro de Tecnologia SENAI Alimentos e Bebidas, de Vassouras. Leonardo Botto – o primeiro ganhador do Concurso Mestre Cervejeiro da Eisenbahn e um dos proprietários do Botto Bar – também foi importante na construção da marca ao criar algumas receitas para a cervejaria. Sua última contribuição foi com a Noi Amara, cerveja do estilo imperial IPA. Outras novidades já estão sendo elaboradas por ele. Hoje a cervejaria deu um salto de 180 graus, está em processo de ampliação da fábrica e até possui uma pequena cozinha de brassagem, a fim de testar receitas futuras em pequena escala. A apresentação das garrafas foi alterada, agora tem tampinha identificada e todos os rótulos foram repaginados. A cervejaria também trabalha apoiando eventos esportivos, principalmente campeonatos de surfe. E a criação de novos rótulos sempre estará nos planos da cervejaria.



O último sábado foi o dia escolhido para o evento de lançamento da mais nova ousadia da marca. Mas antes da apresentação do novo rótulo, Osmar Buzin – um dos sócios da Noi – falou um pouco aos presentes sobre a história e curiosidades acerca da cervejaria. Em seguida, a cargo do sommelier de cervejas José Raimundo Padilha, foi feita uma degustação das cervejas harmonizadas com pratos criados pelo chef Fernando, que comanda o restaurante da casa.

O início da harmonização foi com a cerveja Bionda Oro e pastéis de queijo minas. A premium american lager entrou como um corte frente à fritura do pastel. Depois foi servida a Bianca com ceviche de peixe branco com camarão. A baixa acidez da cerveja de trigo serviu como substituta ao limão onde este casaria com a maresia dos frutos do mar. Como acompanhamento ainda serviram torradas de malte feitas com o bagaço resultante da brassagem da cerveja nova. A torrada acabou retornando várias e várias vezes à mesa, devido ao sucesso que fez entre os convidados.

Mini pastel de queijo Minas com Noi Bionda Oro - premium american lager - 4,5% ABV

Ceviche de peixe branco com camarão e torrada de malte com Noi Bianca - hefeweissbier - 4,9% ABV


Risoto e cogumelos exóticos (portobello, shimeji, etc...) e filetino de mignon fizeram par com a Rossa, cerveja do estilo Irish red ale. Os maltes tostados agregam cor e sabor de caramelo à cerveja, onde dulçor e amargor casaram com a carne. Infelizmente não desfrutei tanto do prato, pois sou alérgico a cogumelos. A Nera, uma schwarzbier, foi servida com coxinha de asa recheada ao creme de gorgonzola. A apresentação foi interessante visualmente, o prato lembrou uma patinha de caranguejo, mas que era uma coxinha, e da asa do frango (?!) saborizada de carne. Ficou bacana a harmonização, principalmente pela escolha do gorgonzola, que combina com cervejas a base de maltes torrados. A Amara foi apresentada com mini burger ao creme de alho. A cerveja acabou por engolir um pouco o prato, mas é até compreensível vide seu alto teor alcoólico e alta lupulagem.

Risoto e cogumelos exóticos e filetino de mignon com Noi Rossa - Irish red ale - 5,8% ABV

Coxinha de asa recheada ao creme gorgonzola e Noi Nera - schwarzbier - 5% ABV

Mini burger ao creme de alho com Noi Amara - imperial IPA - 10,5% ABV


Antes da estrela da noite ser servida foi repassado aos presentes um pouco sobre sua história. Ela começou nas panelas do cervejeiro caseiro Cazé Napier. Sua russian imperial stout Blackout Stout foi a campeã do estilo livre no concurso realizado pela ACervA Carioca em2012. A cerveja chamou a atenção do Leonardo Stefanini – um dos sócios da Noi – já que é um apreciador do estilo. A Noi comprou do Cazé os direitos do uso da receita e começou seu processo de registro e produção já faz nove meses. Além da burocracia para registrar a cerveja, o processo de transição da receita da panela para a fábrica foi feito com parcimônia, vide que nem sempre é fácil a adaptação.



A mais nova ousadia da Cervejaria Noi é a Cioccolato: uma Russian imperial stout com oito variedades de maltes (três cereais: cevada, aveia e trigo), lúpulos Chinook e Fuggles, cacau em pó e em nibs, baunilha em fava e ainda chips de carvalho francês embebidos em uísque. O fermento de origem americana foi para gerar teor alcoólico elevado (12% ABV) e ajudar na floculação. E mais nibs de cacau na fase fria foram adicionados para o aroma. Demorou dois meses e meio para ficar pronta e rendeu quase dois mil litros. O primeiro lote será apenas engarrafado e um segundo já está sendo providenciado (que também estará disponível em chope) para ser lançado em dezembro, para as festividades do Natal. Seu amadeirado destacado já foi corrigido para esse segundo lote, com a quantidade de chips reduzida pela metade. A ideia é que a cerveja seja sempre lançada sazonalmente em edições limitadas.

Ela foi servida com as mini sobremesas: cobbler de frutas e ganache de noz pecan. O dulçor da sobremesa resgatou o chocolate que na Cioccolato ficou um pouco encoberto por causa do amadeirado, resultando numa harmonização perfeita. Se a cerveja apresentasse muito chocolate, a combinação tenderia a ficar enjoativa. Portanto pontos pra a harmonização!

Cobbler de frutas e ganache de noz pecan e Noi Cioccolato - Russian imperial stout/wood and barrel aged strong beer - 12% ABV
Cor negra. Espuma de cor bege e compacta. Aroma bem amadeirado e com notas que remetem ao carvalho (coco queimado e baunilha). Sabor similar e ainda defumado, notas de café e dulçor residual (chocolate). Sensação adstringente, corpo alto e álcool presente. Final longo e de chocolate amargo.


Ao final todos os convidados ainda foram agraciados com uma garrafa da Noi Cioccolato e um abridor da marca. Fica aqui registrado o meu agradecimento pelo convite e os parabéns a todos os envolvidos pela organização do evento.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

BOLLY BABE – A Urbana que o povo clama

No primeiro semestre do ano fui até o Jabaquara, distrito de São Paulo localizado na zona centro-sul do município, que também é conhecido como o ponto final da última estação de metrô da linha azul. O motivo da visita foi para conhecer a sede da Urbana, cervejaria da região que tem orgulho de ser paulistana, principalmente pela rica diversidade oferecida pela cidade. Ela se autodenomina "um pequeno laboratório de cervejas, ideias e sonhos". Anexa à cervejaria funciona a Beer Lovers, Unite!. Loja de produtos cervejeiros, onde são vendidos insumos, equipamentos e até livros especializados para cervejeiros caseiros. No alto das paredes do estabelecimento ficam em destaque todas as cervejas já criadas por eles. Confesso que fiquei deslumbrado com a quantidade de garrafas, que facilmente beiravam mais de cem rótulos.



Claro que além de conhecer a casa o objetivo foi de também provar as cervejas e as novidades. Na ocasião tinham acabado de lançar comercialmente a cerveja Refrescadô de Safadeza, que pertence ao estilo session IPA. Outros rótulos estavam sendo comercializados, dentre registradas ou não. As que degustei foram a Boo!, uma American wheat beer, e A Piscadinha, que até então era do estilo (session) stout, mas que acabou virando uma (session) India black ale. Ambas as cervejas foram lançadas depois de forma registrada.

Mas a minha preferida do dia foi outra, a Bolly Babe. Aliás, já a considero uma das cervejas mais marcantes que provei esse ano. Ela é uma India black ale com adição de curry na receita. Possui 6% de teor alcoólico e 70 unidades de amargor. Sua base maltada contribuiu para um perfil torrado, mas os protagonistas nela foram a lupulagem e o curry. As frutas cítricas e tropicais casaram perfeitamente com o condimentado e o picante do curry. Parecia que eu estava comendo um típico prato indiano, como um chutney de manga! A cerveja se portou aparentemente muito versátil para a gastronomia, seria interessante prova-la com alguma comida. É, seria.

Urbana Bolly Babe - american-style India black ale/herb and spiced beer - 6% ABV
Cor preta, creme marrom e perene. Notas torradas sobrepujadas pelas frutas cítricas e tropicais, além do picante e condimentado do curry, unido com esplendor pelo amargor do lúpulo.


Quando encontrei o André Leme Cancegliero – um dos sócios da Urbana – na última edição do IPA Day, o mesmo disse que até o momento ela não estava nos planos para ser lançada comercialmente. Mas quem sabe num futuro próximo. Quanto ao seu sucesso, ele disse que não apenas eu, mas muitos que a provaram também clamavam pelo seu retorno e até o cobravam por isso.

Diz o ditado que a voz do povo é a voz de deus. Então resta aos cervejeiros de plantão clamarem às divindades do hinduísmo e pedirem o pronto lançamento dessa cerveja, uma autêntica receita de inspiração indiana. Namastê!

terça-feira, 23 de setembro de 2014

DELIRIUM CAFÉ 4 ANOS – Eu fui!

No último domingo foi comemorado o 4º aniversário do Delirium Café RJ. O bar da franquia belga, o primeiro das Américas, comemorou seu aniversário com muita cerveja liberada. O endereço da Rua Barão da Torre, 183 - Ipanema, fechou exclusivamente para a festa que foi restrita a pouco mais de cem pessoas, dentre pagantes (a participação custou R$ 150) e convidados.

Delirium Tremens - belgian strong golden ale - 8,5% ABV
Cor dourada e límpida. Espuma cremosa e firme. Perfumada, condimentada e frutada, com notas destacadas de damasco. Chope fresquinho!
foto: Daniel Demoro


Além da icônica cerveja do elefantinho cor-de-rosa (Delirium Tremens) também foram servidos demais chopes belgas num total de 29 barris entre Chimay Triple, Grisette Blanche, Gulden Draak, Gulden Draak 9000 Quadruple, Piraat e Piraat Triple Hop. Algumas opções em garrafa também marcaram presença, com 24 caixas entre marcas de cervejas americanas e belgas (Blue Point Pumpkin Ale, Green Flash Le Freak, Green Flash Saison Diego, Viven Blond e Viven Imperial IPA). Petiscos foram oferecidos durante as degustações com o intuito de serem harmonizados com algumas cervejas servidas, como mix de frios, pastel recheado de queijo gorgonzola e caldinho de queijo na cerveja. No fim da festa quem conseguia "proteger" a sua tacinha ainda podia levá-la para casa como recordação.

As cervejas que mais gostei de provar foram a Chimay Triple, uma das referências do estilo belgian tripel, com sua alta secura, condimentado marcante e álcool bem inserido, e a Delirium Tremens, que se apresentou muito fresca, com um aroma perfumado e frutado de damascos.

No final da festa, como é de costume, os sócios abriram uma garrafa de 1,5 litros de uma marca belga. A escolhida desse ano foi a St. Feuillien Triple, cuja taça cheia foi passada de mão em mão entre os presentes, como um troféu, a fim de ser devidamente esvaziada.

Tom Delirium, o gerente do Delirium Café RJ, e a St. Feuillien Triple de 1,5 litros
foto: Tom Delirium


Vida longa ao Delirium Tremens RJ e que venham mais e mais anos pela frente!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

1ª FESTA DA CERVEJARIA FRAGA – Dia 25 de Outubro, no Bola Preta, Lapa

Muitos ouviram falar das dificuldades que os sócios Sergio Fraga, Fredy Litowsky, Jorge Litowsky e Renato Estrella enfrentaram para registrar a Cervejaria Fraga. Períodos de adequação, cumprimentos de exigências e entraves burocráticos resultaram em mais de cinco anos para legalização na esfera municipal, estadual e junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Tudo porque resolveram construir do zero a cervejaria localizada na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. No primeiro semestre do ano passado saiu o sonhado registro no MAPA e com isso finalmente todos puderam beber a Fraga Weiss, carro-chefe da cervejaria. Em seguida veio a Fraga Blonde, que teve lançamento prévio no Mondial de La Bière Rio, no final de 2013. Motivos não faltam para comemorar, portanto é mais que justificável a realização da 1ª Festa da Cervejaria Fraga.



O dia escolhido foi 25/10, um sábado, com início marcado para às 14 horas. O local da festa será a sede do Cordão do Bola Preta, que fica na Rua da Relação, nº  03, no boêmio bairro da Lapa. Todos os chopes Fraga estarão liberados durante o evento. A banda General Garrafa se apresentará ao vivo a partir das 17h30 e jam sessions serão realizadas ao longo do dia. Quem tiver fome pode se alimentar comprando petiscos no bar da casa. Os cozinheiros ogros da Ogrostronomia também estarão presentes comercializando seu famoso chili burguer. Demais opções gastronômicas ainda serão confirmadas. Caso o participante tenha interesse em comprar cervejas ou souvenires, poderá adquiri-los na lojinha do Fraga. Lá serão vendidas suas cervejas e kits da marca. Durante o evento também serão sorteados growlers (sifões) da cervejaria.



Os ingressos começarão a ser vendidos nessa sexta-feira, 19/09. Inicialmente a venda será exclusiva para os membros da ACervA Carioca (Associação de Cervejeiros Artesanais Cariocas), onde cada associado poderá comprar até dois ingressos. A venda será normalizada para o restante do público a partir de 26/09. O primeiro lote será vendido por R$ 90,00 e o segundo lote custará R$ 110,00 – lembrando que o ingresso dará direito ao acesso à festa, caneca do evento, chopes liberados das 14h às 20h, assistir aos shows e participar dos sorteios de brindes. Menores de 18 anos poderão participar se acompanhados dos responsáveis e com entrada permitida até às 19 horas. A organização da festa será feita em parceria com a Delibeer Eventos Cervejeiros.  Vale citar que a empresa também é responsável pela realização do evento Delibeer e também foram parceiros na produção das duas últimas edições da festa da ACervA Carioca, com o Festival Carioca da Cerveja Artesanal. Infelizmente esses eventos não marcarão presença no calendário cervejeiro desse ano.




Maiores informações podem ser verificadas na página do evento criada no Facebook, assim como maiores novidades que serão apresentadas conforme o passar dos dias. E para quem estava sentindo falta de um evento de cerveja artesanal no Rio de Janeiro, está aí um bom motivo para comemorar.

Em tempo: Os ingressos já podem ser adquiridos na página da Delibeer no Facebook (lembrando que até dia 26/09 a venda é exclusivo à ACervA), bem como maiores informações podem ser acompanhadas por lá. Basta acessar o link:
https://www.facebook.com/delibeer.evento

terça-feira, 16 de setembro de 2014

PUB BÄCKER CONFINS – Enquanto não corria o voo...

A espera de uma longa conexão em um voo é algo bastante maçante. A agonia pode ser amenizada com a leitura de um bom livro, uma soneca tirada encostado na cadeira ou um bate-papo nas redes sociais até a bateria do smartphone acabar. Felizmente já existe a opção de passar o tempo degustando uma cerveja artesanal de qualidade. Nos aeroportos do mundo estão se instalando cada vez mais cervejarias que oferecem esse tipo de produto. Os Estados Unidos são os melhores favorecidos nesse sentido. O Aeroporto Internacional de San Diego, por exemplo, tem o bar da Stone Brewing Co., que fica localizada no terminal 2. Eisenbahn e Devassa foram precursoras no Brasil, mas suas instalações no aeroporto de Guarulhos encontram-se atualmente fechadas. Já em Minas Gerais, caso sua conexão seja no aeroporto de Confins, o tempo e a sede já podem ser supridos através do Pub Bäcker Confins.



Inaugurado em junho para a Copa do Mundo, o pub foi muito frequentado pelos turistas que iam acompanhar os jogos. Torcedores da Argentina, Colômbia, Grécia e Bélgica foram alguns que frequentaram o pub. Eu o visitei depois de terminada a Copa, enquanto esperava uma conexão de algumas horas para Belém, Pará. Foi bom para passar o tempo e conhecer alguns rótulos ainda não degustados. Apesar da fama que cerca os produtos vendidos em aeroportos, foi com deleite que verifiquei que os preços das cervejas no pub eram justos, para dizer o mínimo.

A primeira cerveja consumida foi uma garrafa da Brazuka. Do estilo bohemian pilsener, ela foi lançada em homenagem a Copa do Mundo. Sua receita foi elaborada pelo mestre-cervejeiro Paulo Schiaveto em uma edição limitada com produção de três mil litros.



Já os chopes que estavam sendo servidos eram o Pilsen e o Capitão Senra. Pedi o segundo, já que também ainda não tinha provado antes. A cerveja é uma homenagem ao oficial aposentado do exército brasileiro que escoltou diversos políticos de renome, sempre em sua Harley Davidson. Atualmente é um colecionador das motos da marca americana, que ficam armazenadas num galpão localizado na região da Pampulha.

Depois foi hora de comer um hambúrguer para encarar as cervejas da linha 3 Lobos (aqui vale comentar que o bar ainda não dispõe de uma cozinha completa, as comidas são pré-preparadas e esquentadas na hora que é feito o pedido). Os rótulos dessa linha são inspirados na escola cervejeira dos Estados Unidos. Adjuntos são usados em algumas receitas, como capim-limão, casca de laranja, açúcar mascavo, e até maturação em madeira é realizada. Todas da linha eu já havia provado antes, mas valeram a repetição, vide sua qualidade e ótimo custo-benefício. As consumidas no pub foram a Pele Vermelha, que recebe adição de raspas de laranja da terra, e a Bravo, que além do açúcar mascavo tem parte de sua produção maturada em madeira amburana.

Bäcker Brazuka - bohemian pilsener - 4,7% ABV
Cor amarela e brilhante. Espuma alva e cremosa. Aroma de grãos, malte e diacetil. Sabor similar, amargor baixo a médio. Seca e limpa. Corpo leve e refrescante. Senti falta de mais lúpulo.
Bäcker Capitão Senra - amber lager - 5,3% ABV
Cor vermelha e translúcida. Aroma de malte, biscoito e leve tostado. Sabor similar, um pouco frutada e com bom amargor. Final satisfatório e limpo. Honesta.
Bäcker 3 Lobos Pele Vermelha - American IPA - 6,9% ABV
Cor vermelha e translúcida. Espuma cor bege e boa formação. Aroma cítrico, maltado e um pouco alcoólico. Sabor similar, equilíbrio entre malte e lúpulo. Médio amargor. Corpo médio, leve sensação de álcool. Retrogosto amargo (persistente) e bem seco, sugerindo outro gole.
Bäcker 3 Lobos Bravo - imperial porter/wood and barrel aged strong beer - 9% ABV
Negra e opaca. Espuma cor bege e compacta. Aroma doce, amadeirado/baunilha, maltado, frutas escuras, álcool e vinho tinto (?). Sabor similar, lúpulo marcante. Amargor médio a alto. Corpo licoroso. Finaliza doce e torrada. Complexa.


Se beber, não dirija, mas se for voar e não for o piloto, aproveite com moderação.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CERVEDIÁRIO – Seu companheiro de bolso para degustações

Eu gosto de analisar sensorialmente as cervejas que bebo e tenho por hábito registrar essas anotações. Mas costumo não ser muito organizado em guardar isso, pois escrevo nos mais variados lugares. No bloco de notas do celular, em guardanapos quando bebo no bar da rua, em arquivos salvos em pastas avulsas do computador. Seria bacana ter um local exclusivo para guardar as anotações, sem ter que lembrar onde está anotada aquela avaliação da maravilhosa Imperial Stout provada na casa de um amigo, por exemplo. Pois o Evviva! – marca de acessórios ligados ao mundo da cerveja – veio suprir essa carência no mercado brasileiro e criou o caderninho para anotações Cervediário. Ele vem para ajudar o degustador que está cansado de sua desorganização em guardar as avaliações.




Nele você pode escrever todas as características encontradas numa cerveja. Desde dados técnicos, como estilo e teor alcoólico, tipo de copo utilizado, validade, análises sensoriais e percepções pessoais, incluído aí até uma roda de aromas. O caderno também vem com orientações sobre como analisar sensorialmente as cervejas de forma correta, traz um resumo de estilos, um mini glossário de termos cervejeiros e até informa como servir a bebida no respectivo copo.

É um caderno de pequenas dimensões e que cabe no bolso da calça. Seu visual é limpo e organizado, com ilustrações precisas e espaço suficiente para anotar dados essenciais da avaliação. Vale citar que o caderno foi revisado pela Kathia Zanatta, sommelière de cervejas e professora do Instituto da Cerveja Brasil.

Quem estiver interessado em adquirir o Cervediário, basta acessar o link abaixo:



terça-feira, 9 de setembro de 2014

SEGUNDO ANIVERSÁRIO DA ACERVA NITERÓI E CONCURSO DE CERVEJAS CASEIRAS - Vejam como foi:

foto: Vinícius Floriano


No último sábado foi realizada a festa de 2 anos da ACervA Niterói. A regional da ACervA Carioca não só comemorou seu aniversário, como também promoveu seu 2º Concurso de Cervejas Caseiras. Organizado pelo sommelier de cervejas Gustavo Renha e por este blogueiro que vos escreve, as categorias escolhidas para o concurso foram: Bohemian Pilsener e Gruitbier Anti-Hops/Hopless India Pale Ale. A ideia da inusitada categoria foi que o cervejeiro selecionasse o sub-estilo de sua preferência (english, american ou imperial) e fizesse uma IPA sem um de seus ingredientes principais: o lúpulo. Um grande desafio para o cervejeiro, pois teria que usar adjuntos como ervas, temperos, frutas, etc., que trouxessem aroma, sabor, amargor e demais sensações em substituição ao lúpulo. Mas um desafio também para o jurado, confrontado pela primeira vez com esse tipo de cerveja. E quanto ao júri este foi composto pela Luciane Tavares (atual presidenta da ACervA Carioca), André Nader e Tiago Dardeau (cervejeiros da Confraria do Marquês) e Gabriel Di Martino (cervejeiro da Therezópolis). As amostras julgadas de ambas as categorias foram muito elogiadas pelos jurados. E o desafio de beber IPA sem lúpulo foi encarado como uma incrível experiência.

Da esquerda para a direita: Gustavo Renha, organizador do concurso, os jurados Tiago Dardeau, Gabriel Di Martino, André Nader e Luciane Tavares, e eu (Gil Lebre), organizador do concurso.
foto: Manoel Felix


850 litros de cerveja. Essa foi a quantidade que os cervejeiros caseiros levaram para a festa, que também contou com a presença de artesanais registradas, como a Birits, Dead Dog, Fraga, Noi, Ranz e Therezópolis. O público marcou presença com mais de 220 pessoas, que iam desde os associados da capital e das regionais (Niterói, Teresópolis, Petrópolis e Macaé) até pessoas que tinham ali o seu primeiro contato com uma festa de cervejas artesanais.

Leandro Melo com a cerveja Biritis


As brew flags (bandeiras parecidas com as dos encontros de motociclistas) adornaram a festa, estampando as marcas dos cervejeiros caseiros de Niterói. Bandeirinhas parecidas com as de festa junina informavam a cerveja que estava plugada na respectiva torneira, informando o cervejeiro produtor, estilo e dados técnicos. Os mais variados estilos marcaram presença e abaixo destaco algumas cervejas que consegui registrar com a câmera junto com seus respectivos cervejeiros:

Mostoka TamarIPA, India pale ale com adição de tamarindo feita pelo acerviano de Niterói, mas morador de São Gonçalo, Manoel Felix.

Bohemian Pilsener do Pedro Henrique Neves (PH), “grande” botafoguense da regional de Petrópolis.

Pata de Vaca, pale ale feita em conjunto pelos cervejeiros de Niterói, Mario Miranda e Frederico Silveira.
foto: Mario Miranda

Essa Oatmeal Stout estava plugada na torneira do beer truck da Dead Dog, mas na verdade a criação foi do Lourival Neto, cervejeiro da Bierfreunden.
foto: Gustavo Renha

Dead Dog American IPA dos sócios Alberto Maia Forte (representado na foto pelo seu primo Tiago Barros) e Sandro Gomes (o barbudo), que recentemente deixou as panelas para ser registrada. A primeira leva foi produzida na Cuesta Microcervejaria, de Botucatu. E sua estreia foi no beer truck presente na festa.

Após uma viagem com a esposa Any Guedes até a África do Sul, o cervejeiro da Barro Bier, André Fortunato, teve a ideia de homenagear os pais e Nelson Mandela. Surgiu a Madiba Stout, american stout que recebeu chips de carvalho americano em infusão por 4 meses no licor Amarula.

Weizenbock da Confraria do Marquês. Uma das últimas que bebi para fechar a festa com chave de ouro.


Antes de acabar a festa foi feita a anunciação dos vencedores do concurso, agraciados com variados prêmios dos patrocinadores Bio4, Ceres Malte, Dr. Yeast, Lamas Brew Shop e Malte & Cia. Abaixo seguem as fotos dos respectivos premiados que subiram ao palco com o Lourival Neto, que foi quem viabilizou os patrocinadores, e o Gustavo Renha, o anunciante dos premiados, que são:

CATEGORIA BOHEMIAN PILSENER:

1º lugar: Jarbas Dantas Menezes (regional Niterói)

2º lugar: João Pedro Bonadiman (regional Niterói)

3º lugar: André Fortunato/Pedro Aliperti (capital)


CATEGORIA GRUITBIER ANTI-HOPS/HOPLESS IPA:

1º lugar: Adriano Peixoto/Ian Souto Maior/Heron Franco (regional Macaé)
foto: Juliana Nascimento

2º lugar: Emerson Moreira (regional Niterói)

3º lugar: André Fortunato/Pedro Aliperti (capital)


Aqui fica o meu agradecimento especial a todos os envolvidos na organização da festa e do concurso, sejam eles associados ou não da ACervA Carioca. Ao júri que trabalhou avaliando as amostras. Aos patrocinadores e cervejarias envolvidas. Ao Rancho do Tomate, que ofereceu uma tremenda estrutura para o evento. Ao DJ Zahle (André Nader, da Confraria do Marquês), que colocou o melhor da música brasileira e jamaicana no comando do som da festa. Aos churrasqueiros responsáveis pela deliciosa comida que foi servida à balde. E principalmente aos cervejeiros caseiros, pois sem eles nada do que aconteceu seria possível.

Até 2015 para a festa de 3 anos e vamos que vamos!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

INVASÃO CARIOCA (parte 1) - IPA Day Brasil 2014

A camiseta da "invasão carioca" apareceu no vídeo do blog All Beers


Antes de começar a postagem deixo aqui o agradecimento ao amigo Daniel Martins. Foi ele quem teve a iniciativa de organizar uma "invasão" até Ribeirão Preto, de cariocas e niteroienses sedentos por lúpulo. Não apenas sommelier de cervejas, cervejeiro caseiro, designer, cozinheiro e outras coisas mais, mas o cara ainda arruma tempo para organizar excursão cervejeira. Valeu, Daniel!

Bom, a diversão do IPA Day Brasil 2014 começou do lado de fora do evento. Murilo Foltran, cervejeiro da DUM, estava com sua chopeira e o mais novo lançamento da cervejaria, a Karel IV. Trata-se de uma imperial american lager bem lupulada e alcoólica, mas que por motivos de força maior não marcou presença no evento – afinal, ela não é uma IPA e muito menos uma ale.

Criador e criatura, Murilo Foltran e DUM Karel IV


Já dentro da festa priorizei experimentar cervejas desconhecidas e os lançamentos. Portanto a Weird Barrel cumpriu bem esses papéis. O novo projeto do Rafael Mosqueta e João Backer – que também são os organizadores do IPA Day – é essa cervejaria de inspiração americana e que até o final do ano vai virar um brewpub em Ribeirão Preto. Na festa estavam plugadas as cervejas Pirate’s Flip (um session IPA com gengibre) e Naughty Grog (uma India Black Ale envelhecida em barril de rum). A Pirate’s Flip recebeu o segundo lugar como melhor cerveja do evento segundo o público presente e confesso que também foi uma das minhas preferidas, mas reconheço que para alguns o gengibre possa soar um pouco enjoativo.

Weird Barrel Pirate's Flip (session IPA com gengibre/spice, herb or vegetable beer) - 3,8% ABV
Amarela e turva. Aroma de gengibre que repete no sabor e que foi equilibrado com o amargor. Leve e seca. Sensação satisfatória e refrescante. Boa drinkability.

Weird Barrel Naughty Grog - India black ale/wood and barrel aged strong beer) - 7,8% ABV
Cor ameixa. Aroma adocicado lembrando o rum e no fim notas de chocolate e lúpulo. Esquenta e volatiza baunilha e frutas escuras/secas. Sabor lupulado, frutado (ameixa) e doce. Madeira moderada. Amargor e álcool marcantes. Aftertaste seco, amargo e torrado. Drinkability baixa.



A cerveja preferida segundo o público foi a Cacau IPA, da Bodebrown. Da cervejaria eu bebi apenas a Montfort Rye IPA, que na minha opinião estava perfeita. Foi a minha preferida e se mostrou a mais equilibrada dentre as cervejas presentes. Claro que não consegui provar todas que estavam disponíveis no evento, mas essa valeu algumas repetições.

Bodebrown Rye IPA Montfort - american IPA/rye beer - 6,1% ABV
Cor cobre. Aroma/sabor lupulado e fresco, frutada (melão), cítrica, floral e leve picante de tempero graças ao centeio. Amargor moderado, corpo leve e de alta drinkability.
Maniba Black Metal IPA - India Black Ale - 7,2% ABV
Não avaliei


O Mr. Beer foi a loja oficial do evento e apresentou seus novos lançamentos de cervejas americanas a preços promocionais. Interessante foi o novo projeto deles, o Hop Soul. Trata-se de um borrifador de odor já instalado em algumas lojas da rede e que está nos planos de ser comercializado mais pra frente. O que estava no evento borrifava lúpulo da variedade Cascade e seu aroma foi bem marcante.

"Mamãe, quero fazer cocô na casa do Pedrinho!"


Sempre tive curiosidade em saber quem era o pobre coitado que ficava debaixo daquela fantasia de urso da Colorado. E apesar de não o ser, Marcelo Carneiro (proprietário da marca), usou a fantasia por certo momento. E motivado pelo calor que fazia em Ribeirão Preto, ampliado dentro da fantasia, fez o desafio do balde de gelo. Resta saber se fez a doação financeira à instituição de pesquisa em combate a ELA (esclerose lateral amiotrófica).

The bear is dead.


Confesso que não sou muito fã de banda cover, prefiro as que tocam músicas autorais. Mas me rendi à banda Microbius Experience, pois era notório que tocavam com virtuosismo e paixão. Cumpriram bem o seu papel tocando clássicos do rock e hard rock e entreteram bem o público no fechamento do evento.

Destaco também as cervejas do Rio que marcaram presença e representaram bem o estado, como a Noi Amara, da cervejaria da minha cidade, Niterói, e a Therezópolis Jade, do simpático cervejeiro Gabriel di Martino. Outra que apreciei foi a Session IPA da Landel, a ainda um pouco desconhecida Maniba Black Metal IPA e a Dama Imperial Coffee IPA, um dos melhores lançamentos da Dama Bier.


A postagem foi um pequeno resumo de minhas impressões sobre o festival. A melhorar para 2015 seria a tentativa da diminuição das filas, mas aí ou conseguem um espaço maior ou reduzem a quantidade de público. Seria interessante também mais opções (e mais baratas) de comida ou até mesmo incluí-la no pacote e servi-la de forma gratuita, até mesmo que aumentem o valor do ingresso. Eu que sou meio pão-duro pra certas coisas não gostei de pagar 5 reais na chapelaria, ainda mais que me informaram que ano passado foi de graça, mas entendo que é grande a responsabilidade de proteger o bem alheio e talvez isso demande um certo custo. No mais a festa foi muito bem executada, com muito mais acertos do que erros e parabenizo a todos os envolvidos por realizar de forma competente a festa mais amarga do Brasil.

Em postagens futuras falarei sobre demais lugares de Ribeirão Preto desbravados pela "invasão carioca". Acompanhem e até lá!

arte: Coletivo CORJA