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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

MELHORES DE 2014 – Cervejas caseiras

Tão logo o ano começa, somos assolados pelas famigeradas listas das melhores cervejas do ano que terminou. Baseadas em gostos pessoais ou criadas a partir de dados estatísticos, certo é que as listas são vastas e os critérios, mil. Sempre quis entrar nesse filão e finalmente consegui selecionar os melhores rótulos que bebi em 2014, com base apenas no agrado pessoal. Dividi as favoritas em três listas separadas por cervejas caseiras, cervejas brasileiras e cervejas estrangeiras. As mesmas serão postadas ao longo das semanas e a inaugural é a que segue baixo, com a seleção das dez melhores cervejas caseiras que degustei ano passado:

10º lugar
Thiago Nogueira
Saison
A cerveja feita pelo amigo Thiago Nogueira é uma Saison bem fiel ao estilo e que apresentou uma leve complexidade. Por um momento recordei da Brooklyn Sorachi Ace, principalmente pelo frutado de limão que advém da sua lupulagem – embora o próprio tenha dito que não utilizou o lúpulo Sorachi Ace na receita.



9º lugar
Brasserie du Sapé
Saison d’uma Figa
Quando o Allan Cunha esteve no Rio de Janeiro em 2013, ministrando seu curso de harmonização na capital e em Niterói, tive a oportunidade de conseguir alguns rótulos produzidos por ele na sua Brasserie du Sapé. Mas somente no ano passado que consegui beber sua Saison d’uma Figa, uma receita que recebe adição de figo e rapadura. Degustada com queijo de cabra “tipo chancliche” com páprica, o resultado foi uma das melhores combinações que já fiz entre comida e cerveja.



8º lugar
SOB (Son Of a Beer)
Weizen Honig + Mandarine
Uma cerveja perfeita para o calor que tem feito no Rio de Janeiro. Consegue unir muito bem alguns elementos que a tornam refrescante: cítrico (tangerina, limão, doce de laranja), efervescência, leve acidez e sensação de corpo leve – mesmo para uma cerveja de trigo. Pena que só tem em São Paulo e ainda assim em pequena distribuição, vide que o bar da Son Of a Beer, em Pinheiros, ainda está em fase de construção.



7º lugar
El Brujo/Escambo Hostel
El Patrón Extra Coca Maradona Premium
A cerveja foi criada especialmente para homenagear o albergue mais cervejeiro de São Paulo, o Escambo Hostel. Servida na festa de 2 anos da casa, a receita recebeu adição de folhas de coca  daí a brincadeira com as homenagens do rótulo. A cerveja possui notas frutadas (maracujá, laranja) e herbais. Possui final seco e um bom amargor. Acredito que o herbal venha do inusitado ingrediente. E caso perguntem se a cerveja deu alguma onda... não, não deu onda nenhuma.



6º lugar
Bruno Viola
Pumpkin Ale
O cervejeiro Bruno Viola faturou o 1º lugar no Estilo Livre do IX Concurso Estadual da ACervA Carioca. Sua cerveja de abóbora com coco queimado é muito marcante. Remete às visitas constantes até as casas de nossas avós, realizadas na infância, quando nos deleitávamos com aquele doce de abóbora caseiro que só elas sabiam fazer.

foto: Amanda Wanderley Viola


5º lugar
Cervejaria Urbana/Riff Beer/Cervejoteca
Overkill 2.0
Essa Extreme Beer foi uma parceria entre a Cervejaria Urbana e a Riff Beer para o bar de cervejas artesanais, Cervejoteca. Com a alcunha de Ignorant Brutal IPA, era de se esperar um desequilíbrio de intensidades, vide seus 300 IBUs (índices de amargor) e 14,6% de teor alcoólico. Mas não. O álcool é evidente, mas bem inserido e não desagrada. Muito amarga, mas bem sustentada pela base maltada. É uma cerveja extrema, mas não é pesada ao ponto de cansar o paladar.



4º lugar
ACervA Paraense
Imperial Stout
Quando visitei Belém do Pará tive a honra de participar de um churrasco organizado pela ACervA Paraense. Lá eu provei a Imperial Stout produzida pelo membro André Oliveira e pelo Iuri Fernandes, presidente da associação e um dos sócios do bar Black Dog. A cerveja seria depois maturada com chips de carvalho embebidos em Jack Daniels. Mas a versão “normal” que provei já estava maravilhosa, ainda mais porque foi devidamente harmonizada com dadinhos de queijo coalho com tapioca. Égua!



3º lugar
Barro Beer
Madiba Stout
André Fortunato – um dos cervejeiros da Barro Beer – foi quem criou essa receita, uma American Stout com chips de carvalho americano em infusão por quatro meses no licor Amarula. Inspirado na viagem feita com a esposa até a África do Sul, ele criou a cerveja para homenagear os pais e o falecido ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela.



2º lugar
Cervejaria Urbana
Bolly Babe
Sempre que encontro o André Leme Cancegliero – um dos sócios da Urbana – cobro dele o lançamento comercial da cerveja Bolly Babe, uma India Black Ale com adição de curry. Em conversa no Mondial de La Bière ele me assegurou que ela sairá em 2015, e que só está dependendo de fechar parcerias com empresas para o fornecimento do ingrediente asiático.



1º lugar
Nóbrega Brew Co.
Maria Fumaça
Leandro Sphaier, de Niterói, saiu com algumas medalhas em concursos que participou no final de 2014. Ele faturou o 3º lugar com sua Roggen, na categoria Weizen e Roggenbier do IX Encontro Nacional das ACervAs. E na categoria American Pale Ale, ele tirou o 2º lugar no IX Concurso Estadual da ACervA Carioca. Já a sua cerveja Maria Fumaça, embora não tenha entrado em nenhum concurso, foi a melhor caseira que bebi no ano passado. É uma Rauchbier fidelíssima ao estilo, feita rigorosamente como mandam as diretrizes do guia de estilos BJCP e que não faria feio num embate frente a uma clássica Schlenkerla, por exemplo.




Bom, essas foram as cervejas caseiras que se destacaram dentre as que bebi ano passado, seja pela criatividade no uso de técnicas e ingredientes não usuais, ou pelo acuro do cervejeiro ao reproduzir com maestria estilos clássicos. Claro que bebi muitas outras caseiras maravilhosas que não entraram na lista, mas procurei ser o mais honesto possível. E vale reforçar que listei apenas cervejas que nunca havia provado antes de 2014. 

A próxima postagem será dedicada às cervejas artesanais brasileiras (cervejas registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, diga-se), acompanhem!

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