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quinta-feira, 5 de março de 2015

MELHORES DE 2014 – Cervejas estrangeiras

E para encerrar as postagens das melhores cervejas que bebi pela primeira vez em 2014, a de hoje é dedicada aos rótulos estrangeiros que não são importados para o Brasil e cervejas que vieram brevemente para cá ano passado, mas sem terem sido importadas oficialmente.

10º lugar
Adelbert’s Brewery
Scratchin’ Hippo
Dentre as “cervejas de fazenda”, as cervejas do estilo Bière de Garde perdem para as Saisons frente à variedade de rótulos disponíveis no Brasil. Da que já bebi, todas francesas, poucas chamaram atenção. Já essa versão à americana traz as notas maltadas que o estilo pede e ainda um pouco de leveduras selvagens, que atraem notas corpóreas, de celeiro e mofo, recordando um pouco a trapista Orval.



9º lugar
Kross
5
Quiçá um dia as cervejas da popular artesanal chilena serão importadas para o Brasil. Possibilidade que pode ser levada em conta graças a sociedade com a vinícola Concha Y Toro. Suas cervejas são fáceis de achar em Santiago, possuem preços competitivos e chamam atenção pelo primor. A 5 era para ser uma edição especial em comemoração aos cinco anos da cervejaria. Mas a combinação de cerveja muito maltada, muito lupulada e o ineditismo da maturação com chips de madeira, atraiu fãs e agora ela faz parte do portfólio da cervejaria.



8º lugar
Jester
Saison
Outra excelente cerveja que provei ano passado em Santiago foi a Saison dessa desconhecida cervejaria. Adquirida no Beervana, a melhor loja para comprar cervejas artesanais em Santiago (para saber mais sobre ela, acesse aqui), a cerveja é uma Saison típica e que ainda traz notas complexas de leveduras selvagens. Foi uma grata surpresa.



7º lugar
Founders
Mango Magnifico
A combinação de manga e pimenta habanero casou muito bem nessa cerveja, uma reinterpretação das Fruit Beers. Com 10% de teor alcoólico e toque picante da pimenta, o resultado poderia ser uma cerveja pesada, mas é tudo menos isso. A manga trouxe o frescor frutado desejado e a sensação final é de uma cerveja refrescante, indicada para os dias de verão. Ela foi lançada em 2013 e faz parte da série Backstage Series, edições limitadas que podem ou não ser produzidas novamente pela cervejaria.



6º lugar
Brauerei im Eiswerk
Bourbon Bock
Ano passado o mestre-cervejeiro da Paulaner, Martin Zuber, visitou o Brasil. Aqui ele ministrou uma palestra no Instituto da Cerveja Brasil (ICB), foi jurado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cerveja e fez uma cerveja colaborativa com a Cervejaria Nacional. Com ele vieram alguns rótulos da Brauerei im Eiswerk, micro cervejaria da Paulaner, criada com o intuito de produzir cervejas especiais ou pequenos rótulos experimentais. Cervejas caras, limitadas e difíceis de encontrar. Essa Bock envelhecida três/quatro meses em barris de bourbon foi um presente da adega particular dos professores Kátia Zanatta e Alfredo Ferreira, aos alunos da 3ª Turma de Mestre em Estilos do ICB. A cerveja foi compartilhada e devidamente analisada na aula e eu fui um desses privilegiados. Cerveja altamente complexa, inovadora e que respeita fielmente a Reinheitsgebot (lei da pureza alemã).



5º lugar
Le Trou du Diable
Dulcis Succubus
Essa canadense recebeu menção especial na premiação do concurso MBeer Contest, realizado no Mondial de La Bière de 2014, no Rio de Janeiro. Ela veio de forma exclusiva para o festival pela Buena Beer e foi servida no Petit Pub – que também apresentou rótulos da Sierra Nevada, Dogfish Head, Stone, dentre outras exclusividades. A cerveja possui lupulagem de variedades americanas e é envelhecida com brettanomyces em barris de carvalho francês antes usados para acondicionar vinhos botritizados (também conhecidos como "podridão nobre"). Farta em sensações e complexidade. Ah, dizem as boas línguas que restam algumas garrafas dela no Delirium Café Rio.



4º lugar
Cantillon
Fou’ Foune
Engarrafada em 2004. Consumida dez anos depois. Uma cerveja complexa e o maná para os apreciadores de Fruit Lambics. Ela possui notas típicas de brettanomyces e de bactérias láticas, além de muito frutado graças aos damascos Bergerons. Eles são adicionados em Lambics de dois anos e após dois meses as cervejas são engarrafadas. Uma obra de arte. A melhor Cantillon que já provei.



3º lugar
Firestone
Wookey Jack
Tive a felicidade de provar essa cerveja não apenas uma, mas duas vezes ano passado. India Black Ale com centeio, feita por uma das melhores cervejarias do mundo, só poderia resultar numa cerveja ímpar e uma referência para o estilo. Cor preta e espuma persistente, muito lupulada e amarga, intensamente frutada (frutas cítricas e tropicais) e resinosa, além de picante, com final tostado e de chocolate amargo.



2º lugar
New Glarus
Wisconsin Belgian Red
Raspberry Tart
Foi impossível escolher apenas um dos dois rótulos, então cito ambos no 2º lugar. Sabe aquelas cervejas que você fica cheirando além do normal e fica postergando para beber graças ao aromático bouquet? Pois as cervejas com frutas da New Glarus são um deleite ao nariz, trazem tanto as framboesas quanto as cerejas bem intensas e frescas. As frutas não parecem artificiais como em algumas Fruit Beers. Também possuem um equilíbrio com as leves notas de madeira, acidez e mofo. Ótimas opções para quem quer iniciar-se com parcimônia no mundo das cervejas “sour”. Servem também para tirar aquela noção que cervejas de fruta não têm valor ou não são complexas – e as minhas escolhidas ainda têm baixo teor alcoólico.




1º lugar
Cigar City Brewing
Hunahpu’s Imperial Stout
Ano passado bebi excelentes Imperial Stouts – meu estilo preferido – que poderiam facilmente ter entrado nesta lista. A minha escolhida foi uma cerveja que não é envelhecida em madeira – embora ela também seja produzida em edições barrel aged –, mas que carrega no uso de variados adjuntos como, nibs de cacau, fava de baunilha, pimentas chile ancho e pasilla chile, e canela. Para adquirir a Hunahpu’s, só na celebração da sua festa que é realizada todo ano dentro da cervejaria, na Florida. A edição 2015 do Hunahpu’s Day está marcada para ocorrer daqui a nove dias, em 14 de março. Por 200 dólares os participantes têm direito a quatro garrafas dela, degustar mais de duzentos tipos de cervejas (muitas raridades) de aproximadamente 70 cervejarias artesanais, além de outros benefícios, como direito a comidas e souvenires. 



Para saber quais foram as minhas escolhidas nas demais categorias das melhores cervejas de 2014, basta acessar as postagens abaixo. E que venham mais boas novas cervejas a degustar em 2015! Saúde!


2 comentários:

  1. Cara, adorei seu blog, sou de Belém e adoro cervejas gourmet e por sinal passei a me interessar e estudar mais profundamente sobre, depois que fui nesse mesmo PUB que você veio em Belém. Descobri que gosto E MUITO desses tipos de cervejas. Parabéns e agora serei leitor assíduo do seu blog e venha sempre é mais vezes no Pará, não só conhecer as cervejas que aqui são produzidas, mas também a culinária, cultura, as pessoas e o turismo que são ricas e diversas, e devem armonizar muito bem com deliciosas cervejas. Seja sempre bem vindo!

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  2. Obrigado, Henrique Santos. A viagem que fiz ano passado foi uma das mais ricas que já fiz, seja pela cultura, gastronomia, cerveja e amigos que fiz. Não vejo a hora de retornar. Abração

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