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quarta-feira, 17 de junho de 2015

VAN STEENBERGE – Palestra com David Wagnon e degustação das cervejas Gulden Draak e Piraat

Seguindo o convite da importadora Buena Beer, tive o prazer de presenciar a palestra de David Wagnon, diretor de exportações da Brouwerij Van Steenberge, produtora dos já conhecidos rótulos Gulden Draak e Piraat.

A conversa aconteceu na sede do Instituto da Cerveja Brasil, em São Paulo, na última semana. David trabalha na Van Steenberge há um ano apenas, porém já está acostumado a vir ao Brasil, pois exercia o mesmo cargo anteriormente na Delirium, uma aposta antiga da mesma importadora carioca.


David Wagnon
foto: Bruno Siqueira


O belga falou sobre toda a história da cervejaria, que está em sua sexta geração e teve sua fundação em 1791 por Jean Baptist De Bruin, em uma fazenda de cereais que também fazia as vezes de maltearia. Durante os mais de 200 anos, as atividades e instalações mudaram bastante e talvez o ponto mais alto a ser destacado foi a invenção exclusiva da refermentação na garrafa, desenvolvida por Paul Van Steenberge, em 1922. Nessa época ele acumulava a função de dono da cervejaria e professor de microbiologia na universidade federal, onde colaborou com o mestre Pasteur.

Já na década de 80, mais recentemente, a cervejaria recebeu maiores investimentos e começou a desenvolver em escalas um pouco maiores. Contam hoje com 36 funcionários, porém conseguiram atingir (com média de seis brassagens diárias) a produção de 75.000 hectolitros em 2014 – estão entre os quinze maiores produtores da Bélgica e presentes em mais de 60 países.

Durante a palestra ficou bastante clara a preocupação com a qualidade dos ingredientes: maltes franceses e belgas, lúpulos de diversos países/terroirs e 11 tipos diferentes de leveduras, propagadas e cultivados por eles.

Nenhuma das cervejas produzidas por eles é pasteurizada e a maioria passa por um processo de segunda fermentação na garrafa, onde ficam armazenadas em um “warm room” com ventilação constante. Na Gulden Draak tradicional (David classifica como uma “Dark Tripel”, porém poderíamos dizer que se encaixa mais como uma Belgian Strong Dark Ale) e na edição 9000 Quadruple (Quadrupel), a refermentação é feita com levedura de vinho Bordeaux.

A Brouwerij Van Steenberge também produz a mítica Celis White, que nada mais é que a receita original da (agora) “ambeviana” Hoegaarden.

Abaixo seguem os detalhes das cervejas degustadas no encontro:

Gulden Draak - Belgian Strong Dark Ale - 10,5% ABV
Visual: Coloração castanho escuro / caramelo, com boa formação de espuma.
Aroma: Malte tostado, candy sugar, mel, caramelo e álcool.
Sabor:  Segue o aroma, frutas secas, bastante maltada e com sensação de aquecimento, porém com altissimo drinkability.

Gulden Draak 9000 Quadruple - Quadrupel - 10,5% ABV - 23 IBU
Visual: Coloração dourado intenso / âmbar, com boa formação de espuma.
Aroma: Frutado, notas de caramelo e álcool (sem adição de açúcar).
Sabor:
Maltada, grande presença do álcool, mais seca que a versão original.

Piraat - Belgian Strong Golden Ale - 10,5% ABV - 30 IBU
Visual:
Coloração dourado intenso, límpida, com ótima formação de espuma. 
Aroma: 
Notas condimentadas e de lúpulo (Saaz), com leve dulçor vindo do malte.
Sabor:
 Amargor médio a baixo que contrasta com um leve dulçor, desenvolvendo um ótimo drinkability.

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Postagem escrita por:
BRUNO SIQUEIRA
Sommelier de Cervejas
Mestre em Estilos de Cervejas

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