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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

MELHORES DE 2014 – Cervejas brasileiras

Na semana passada fiz uma postagem das cervejas caseiras que mais gostei de beber no ano passado. E continuando com as listas dos melhores rótulos que experimentei pela primeira vez em 2014, a postagem de hoje é dedicada às artesanais brasileiras comercializadas, ou seja, cervejas com registro no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). Vamos a elas:

10º lugar
Bier Hoff
Nigra
Confesso, estava com baixa expectativa quando bebi a Nigra, um rótulo pouco comentado no cenário cervejeiro. Mas foi uma grata surpresa. Quando degustei cervejas da Escola Alemã para a prova do curso de Mestre em Estilos, ela se mostrou uma Schwarzbier correta. Um bom exemplar do estilo e muito merecedora da medalha de bronze que conquistou no European Beer Star de 2012.



 lugar
Therezópolis
Jade
As cervejas da Therezópolis têm um dos melhores preços do mercado. Suas garrafas de 600 ml costumam custar menos de dez reais e possuem boa distribuição – é fácil encontra-las nas grandes redes de supermercado. E a Jade é um dos rótulos mais atraentes da marca, por ser um exemplar honesto de um estilo cada vez mais popular entre os consumidores. É a IPA nacional com o melhor custo-benefício atualmente.



 lugar
Way Beer
Sour Me Not Acerola
O projeto Sour Me Not, da cervejaria Way Beer, visa apresentar cervejas ácidas que receberam adição de frutas (morango, graviola e acerola). Foi um dos lançamentos mais benquistos do ano passado e, a partir dele, outras cervejarias nacionais também investiram na produção de Sour Ales. Minha preferida é a versão com acerola. Além do cítrico característico, a fruta conseguiu evidenciar ainda mais o azedo na cerveja. A cerveja é seca, bem refrescante e o baixo teor alcoólico só ajudou.



 lugar
Cervejaria Nacional/Martin Zuber
Münchner
A fábrica-bar mais famosa de São Paulo, em parceria com o Martin Zuber, mestre-cervejeiro da Paulaner, criou uma receita inspirada nas cervejas escuras originais (Ur-Dunkel) da cidade de Munique. Foi uma das melhores sazonais da Nacional que já provei. Primeiro porque a cerveja ficou absurdamente equilibrada e com alta drinkability – do tipo para ser bebida aos montes – e o estilo clássico, que muitos consideram sem graça, ganhou em complexidade graças as notas de biscoito waffer, café e chocolate, amparadas pela boa lupulagem e o final seco.



 lugar
Cervejaria Wäls/Empório Alto dos Pinheiros
Wäls EAP Barley Wine 2014
Um dos melhores fatos do ano passado foram as medalhas conquistadas pela Wäls no World Beer Cup. Além das conquistas, a cervejaria também esteve voltada com a exportação de suas cervejas e com a nova unidade que está montando nos Estados Unidos. Também foi um ano com bons rótulos novos, como a segunda parceria feita com o Empório dos Pinheiros. A escolha dessa vez foi por uma Barleywine com quase 100 IBUs (unidades de amargor), alcoólica, com boa base maltada e o amadeirado do carvalho francês. Já merecem a menção só pelo investimento num estilo pouco recriado no Brasil. Eu já estou no aguardo para provar a edição 2015 da cerveja.



 lugar
Tupiniquim/Omnipollo
Polimango
A dobradinha entre a cervejaria brasileira Tupiniquim e a sueca Omnipollo, resultou numa das melhores Imperial IPAs nacionais disponíveis no mercado. Frutas cítricas e tropicais, amargor afiado, boa espuma e sensação de boca cremosa. Álcool mascarado, refrescante e alta drinkability. Mesmo tendo sido consumida alguns meses depois de lançada, ela apresentou uma lupulagem bem fresca e marcante. Delícia!



 lugar
Serra de Três Pontas/Noturna/Prima Satt
Cafuza
Os cervejeiros caseiros, Bruno Moreno de Brito (Serra de Três Pontas), Luciano Silva (Cervejaria Noturna) e Leonardo Satt (Prima Satt), somaram forças e hoje trabalham em conjunto para produzir comercialmente as suas cervejas. O primeiro lançamento foi a Cafuza – uma das caseiras mais famosas do Brasil – produzida na Cervejaria Invicta, de Ribeirão Preto. Fiel à versão caseira, a mudança mais significativa para a versão registrada foi a substituição do lúpulo Citra pelo Amarillo. No copo ela continua muito lupulada, torrada e com a garantia de ser uma cerveja com muita personalidade.



 lugar
Morada Cia. Etílica
Hop Arabica
Quando pensamos numa cerveja que recebeu adição de café, certamente iremos supor tratar-se de uma bebida de cor escura graças a adição dos maltes torrados. Pois a Morada Hop Arabica é o oposto disso. Suas notas de café remetem mais a grãos e não ao torrado usual. É uma cerveja de cor clara e que recebeu doses extras de lúpulo, que combinado com o café, realçou o amargor. Experimentem consumi-la com cookie de cappuccino.



 lugar
Cervejaria Noi
Cioccolato
A Cervejaria Noi – a primeira cervejaria artesanal de Niterói – vem investindo cada vez mais no lançamento de estilos menos básicos de cerveja. Em 2013 saiu uma Imperial IPA e esse ano deve sair uma Barleywine. Ano passado lançaram a Cioccolato, uma Imperial Stout com muito malte, adição de cacau, baunilha e maturação com chips de madeira. A receita nasceu nas panelas do cervejeiro caseiro, Cazé Napier, que ganhou a medalha de ouro do Estilo Livre no concurso realizado pela ACervA Carioca em 2012. Sua receita foi vendida para a Noi e reproduzida pela cervejaria. É uma cerveja complexa, com vastas possibilidades para harmonização ou até mesmo para fechar as refeições, substituindo um licor, por exemplo. É um privilégio ser da mesma cidade da Noi e ter essa baita cerveja por perto.



 lugar
Bodebrown
Double Perigosa Wood Aged Series Cabernet Sauvignon 2014
Demais cervejas da Bodebrown poderiam facilmente ter entrado nesta lista. Como, por exemplo, a Saison Apricot Tonight que provei no Mondial de La Bière. É uma boa Saison, refrescante, com frutado fresco e intenso (ela recebeu adição de pêssego e damasco na receita). Ou a Montfort Rye IPA, que foi a IPA mais equilibrada e com melhor drinkability que bebi em 2014. Mas resolvi citar apenas um rótulo da marca e a escolhida foi a cerveja inaugural da série Wood Aged. A Bodebrown inovou no lançamento de uma cerveja maturada em barril de vinho tinto com a alcunha de cerveja vintage. De alta complexidade, é um exemplar para ser consumido hoje e no futuro, a fim de verificar a evolução da cerveja na garrafa. A porta aberta pela Bodebrown será seguida por demais cervejarias esse ano e em breve teremos muitas wood aged nacionais vindo por aí.



Estas foram as cervejas que se destacaram, na minha opinião, dentre os lançamentos nacionais do ano passado. Priorizei estilos complexos e extremos, mas também estilos básicos com receitas redondas e bem executadas. Claro que muita coisa boa ficou de fora, já que 2014 foi um ano rico produtivamente (e criativamente), com muito cervejeiro estrangeiro vindo pra cá fazer colaborativas, o aumento do número de cervejarias ciganas no país e uma maior abertura do MAPA no registro de receitas antes proibidas. 

A próxima postagem será dedicada às cervejas estrangeiras que mais me encantaram no ano passado. A lista será dividida entre as estrangeiras vendidas no Brasil e as que não são (ou ainda não eram) importadas pra cá. Acompanhem!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

MELHORES DE 2014 – Cervejas caseiras

Tão logo o ano começa, somos assolados pelas famigeradas listas das melhores cervejas do ano que terminou. Baseadas em gostos pessoais ou criadas a partir de dados estatísticos, certo é que as listas são vastas e os critérios, mil. Sempre quis entrar nesse filão e finalmente consegui selecionar os melhores rótulos que bebi em 2014, com base apenas no agrado pessoal. Dividi as favoritas em três listas separadas por cervejas caseiras, cervejas brasileiras e cervejas estrangeiras. As mesmas serão postadas ao longo das semanas e a inaugural é a que segue baixo, com a seleção das dez melhores cervejas caseiras que degustei ano passado:

10º lugar
Thiago Nogueira
Saison
A cerveja feita pelo amigo Thiago Nogueira é uma Saison bem fiel ao estilo e que apresentou uma leve complexidade. Por um momento recordei da Brooklyn Sorachi Ace, principalmente pelo frutado de limão que advém da sua lupulagem – embora o próprio tenha dito que não utilizou o lúpulo Sorachi Ace na receita.



9º lugar
Brasserie du Sapé
Saison d’uma Figa
Quando o Allan Cunha esteve no Rio de Janeiro em 2013, ministrando seu curso de harmonização na capital e em Niterói, tive a oportunidade de conseguir alguns rótulos produzidos por ele na sua Brasserie du Sapé. Mas somente no ano passado que consegui beber sua Saison d’uma Figa, uma receita que recebe adição de figo e rapadura. Degustada com queijo de cabra “tipo chancliche” com páprica, o resultado foi uma das melhores combinações que já fiz entre comida e cerveja.



8º lugar
SOB (Son Of a Beer)
Weizen Honig + Mandarine
Uma cerveja perfeita para o calor que tem feito no Rio de Janeiro. Consegue unir muito bem alguns elementos que a tornam refrescante: cítrico (tangerina, limão, doce de laranja), efervescência, leve acidez e sensação de corpo leve – mesmo para uma cerveja de trigo. Pena que só tem em São Paulo e ainda assim em pequena distribuição, vide que o bar da Son Of a Beer, em Pinheiros, ainda está em fase de construção.



7º lugar
El Brujo/Escambo Hostel
El Patrón Extra Coca Maradona Premium
A cerveja foi criada especialmente para homenagear o albergue mais cervejeiro de São Paulo, o Escambo Hostel. Servida na festa de 2 anos da casa, a receita recebeu adição de folhas de coca  daí a brincadeira com as homenagens do rótulo. A cerveja possui notas frutadas (maracujá, laranja) e herbais. Possui final seco e um bom amargor. Acredito que o herbal venha do inusitado ingrediente. E caso perguntem se a cerveja deu alguma onda... não, não deu onda nenhuma.



6º lugar
Bruno Viola
Pumpkin Ale
O cervejeiro Bruno Viola faturou o 1º lugar no Estilo Livre do IX Concurso Estadual da ACervA Carioca. Sua cerveja de abóbora com coco queimado é muito marcante. Remete às visitas constantes até as casas de nossas avós, realizadas na infância, quando nos deleitávamos com aquele doce de abóbora caseiro que só elas sabiam fazer.

foto: Amanda Wanderley Viola


5º lugar
Cervejaria Urbana/Riff Beer/Cervejoteca
Overkill 2.0
Essa Extreme Beer foi uma parceria entre a Cervejaria Urbana e a Riff Beer para o bar de cervejas artesanais, Cervejoteca. Com a alcunha de Ignorant Brutal IPA, era de se esperar um desequilíbrio de intensidades, vide seus 300 IBUs (índices de amargor) e 14,6% de teor alcoólico. Mas não. O álcool é evidente, mas bem inserido e não desagrada. Muito amarga, mas bem sustentada pela base maltada. É uma cerveja extrema, mas não é pesada ao ponto de cansar o paladar.



4º lugar
ACervA Paraense
Imperial Stout
Quando visitei Belém do Pará tive a honra de participar de um churrasco organizado pela ACervA Paraense. Lá eu provei a Imperial Stout produzida pelo membro André Oliveira e pelo Iuri Fernandes, presidente da associação e um dos sócios do bar Black Dog. A cerveja seria depois maturada com chips de carvalho embebidos em Jack Daniels. Mas a versão “normal” que provei já estava maravilhosa, ainda mais porque foi devidamente harmonizada com dadinhos de queijo coalho com tapioca. Égua!



3º lugar
Barro Beer
Madiba Stout
André Fortunato – um dos cervejeiros da Barro Beer – foi quem criou essa receita, uma American Stout com chips de carvalho americano em infusão por quatro meses no licor Amarula. Inspirado na viagem feita com a esposa até a África do Sul, ele criou a cerveja para homenagear os pais e o falecido ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela.



2º lugar
Cervejaria Urbana
Bolly Babe
Sempre que encontro o André Leme Cancegliero – um dos sócios da Urbana – cobro dele o lançamento comercial da cerveja Bolly Babe, uma India Black Ale com adição de curry. Em conversa no Mondial de La Bière ele me assegurou que ela sairá em 2015, e que só está dependendo de fechar parcerias com empresas para o fornecimento do ingrediente asiático.



1º lugar
Nóbrega Brew Co.
Maria Fumaça
Leandro Sphaier, de Niterói, saiu com algumas medalhas em concursos que participou no final de 2014. Ele faturou o 3º lugar com sua Roggen, na categoria Weizen e Roggenbier do IX Encontro Nacional das ACervAs. E na categoria American Pale Ale, ele tirou o 2º lugar no IX Concurso Estadual da ACervA Carioca. Já a sua cerveja Maria Fumaça, embora não tenha entrado em nenhum concurso, foi a melhor caseira que bebi no ano passado. É uma Rauchbier fidelíssima ao estilo, feita rigorosamente como mandam as diretrizes do guia de estilos BJCP e que não faria feio num embate frente a uma clássica Schlenkerla, por exemplo.




Bom, essas foram as cervejas caseiras que se destacaram dentre as que bebi ano passado, seja pela criatividade no uso de técnicas e ingredientes não usuais, ou pelo acuro do cervejeiro ao reproduzir com maestria estilos clássicos. Claro que bebi muitas outras caseiras maravilhosas que não entraram na lista, mas procurei ser o mais honesto possível. E vale reforçar que listei apenas cervejas que nunca havia provado antes de 2014. 

A próxima postagem será dedicada às cervejas artesanais brasileiras (cervejas registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, diga-se), acompanhem!